Caracterização da Fauna Nativa

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Link externo: Listas de animais nativos por região – Taxeus

1    INTRODUÇÃO

A Fazenda Experimental da Ressacada é um terreno do Centro de Ciências Agrárias da UFSC localizado no município de Florianópolis – SC. O objetivo desse estudo é a realização de um Estudo Ambiental Simplificado (EAS), a fim de verificar os possíveis impactos ambientais causados por novas construções e reformas neste local, além de sugerir maneiras de anular ou mitigar esses danos. Os grupos amostrados serão anfíbios, aves, mamíferos, peixes e répteis.

1.1      ÁREA DE ESTUDO

A região avaliada encontra-se no município de Florianópolis, em terreno localizado no Bairro Tapera, a 27°40’51″S 48°32’15″W, no Estado de Santa Catarina, Brasil. Aproximadamente 23,39 ha da Fazenda Experimental da Ressacada são compostos por vegetação nativa, formada por Floresta Ombrófila Densa; 28,89 ha são formados por banhados e 69,5 ha são compostos de áreas manejadas, agrupando áreas cobertas e com infra-estruturas, áreas de lavoura, criação de animais, silvicultura e áreas de experimentação. A Fazenda da Ressacada é destinada a aulas práticas e experimentação dos cursos de Agronomia, Zootecnia, Engenharia de Alimentos, Engenharia de Aquicultura e Engenharia Sanitária Ambiental.

A área de estudo é formada pelos seguintes ambientes: Antrópico(An), Banhado(B), Silvicultura(Si), Pastagem(P), Mata em estágio inicial de regeneração(Mi), Mata em estágio médio de regeneração(Mm) e Mata em estágio avançado de regeneração(Ma). Esses pontos estão ilustrados na figura 1. A equipe de Ictiofauna utilizou outros pontos de amostragem.

Figura 1. Mapa com os os pontos de amostragem da Fazenda da Ressacada. Antrópico (1), Banhado (2), Silvicultura (3), Pasto (4), Mata Inicial (5), Mata Média (6), Mata Avançada (7), Manguezal (8).

2    OBJETIVOS

2.1      Geral

Listar os possíveis impactos causados a fauna de vertebrados no local estudado e sugerir maneiras de amenizá-los ou mitigá-los. Elaborar o relatório que caracteriza um Estudo Ambiental Simplificado (EAS).

2.2      Específicos

•         Apresentar uma lista de espécies de vertebrados de possível ocorrência para a região com base em dados bibliográficos;

•         Apresentar uma lista de espécies de vertebrados com registros no município de Florianópolis com base em dados bibliográficos;

•         Apresentar uma lista de espécies de vertebrados presentes na área com base em uma pesquisa de campo feita na Fazenda da Ressacada e no futuro Campus entre o período de julho de 2011 à junho de 2012 por alunos e professores da Universidade Federal de Santa Catarina.

•         Indicação de espécies ameaçadas de extinção e próximas a ameaçadas (segundo a lista nacional e IUNC) de espécies endêmicas e raras.


3    MAMÍFEROS

3.1      INTRODUÇÃO

A Mata Atlântica brasileira, por sua distribuição encontra-se entre os biomas mais impactados. O processo de fragmentação atingiu níveis críticos, restando apenas 11,7% de florestas primárias e secundárias avançadas (Ribeiro et al., 2009). A fragmentação gera perda de habitat para muitas espécies, diminuindo suas ocorrências, inclusive de espécies dispersoras de sementes. A complexidade da vegetação parece estar relacionada positivamente ao número de espécies ou abundância total de pequenos mamíferos não-voadores em áreas de Mata Atlântica (Gentile e Fernandez 1999, Pardini et al. 2005; Pardin e Umetsu, 2006).

Dentre os diversos impactos estão atropelamentos, predação por cães ferais, desenvolvimento e infraestruturas em grande escala, conversão dos usos da terra, energia e mineração, ações humanas não-sustentáveis, poluição, urbanização, desmatamento, fragmentação de hábitats e invasão de espécies exóticas (Galleti & Sazima, 2006; Loyola & Lewinsohn, 2009). Todo este impacto é particularmente grande para os mamíferos, principalmente de médio e grande porte e esses são problemas que ainda acontecem, sem que a composição da mastofauna em suas formações florestais tenha sido devidamente conhecida (Cáceres et al., 2007).

Com isso, a conservação da biodiversidade torna-se cada vez mais importante no nosso país. Um dos primeiros passos para tal é inventariar a fauna e a flora de uma determinada porção de um ecossistema (Santos, 2006), isto porque é necessário o conhecimento dos organismos existentes no local para o estabelecimento de projetos de manejo da biodiversidade.

Os mamíferos são elementos essenciais para a manutenção do equilíbrio dinâmico dos ecossistemas, presentes em vários momentos e níveis das cadeias tróficas, além de contribuírem significativamente para a manutenção e reposição de formações vegetais (Benites e Mamede, 2008). Além de ocuparem de modo tridimensional o ambiente, em tosos os estratos, permitindo uma melhor compreensão e detecção de alterações na estrutura dos hábitats e das cadeias tróficas aos quais fazem parte. Assim se fazem um grupo adequado como indicador de impactos ambientais.

Os pequenos mamíferos não voadores correspondem aos marsupiais e roedores (ordens Didelphimorphia e Rodentia respectivamente) cuja massa corporal não ultrapassa dois quilogramas. Este grupo compõe a maior parte da biomassa de mamíferos das florestas tropicais e têm grande importância nas cadeias tróficas de todos os ambientes tropicais, geralmente formando a base de toda a cadeia, servindo como alimento de pequenos e médios predadores dentre répteis, aves e inclusive outros mamíferos (Sick, 1997; Emmons & Feer, 1997). Embora de pequeno porte, esses mamíferos podem atuar também como polinizadores de várias espécies de flores, dispersores e predadores de sementes, influenciando dessa forma na distribuição e dinâmica da vegetação.

3.2      METODOLOGIA

O diagnóstico da mastofauna na Fazenda Experimental da Ressacada foi realizada através de consulta bibliográfica de relatório de pesquisa realizado na área.

O estudo em questão realizou quatro campanhas de campo, contemplando diferentes estações do ano. A primeira entre os dias 10 e 15 de julho de 2011; a segunda de 12 a 17 de novembro de 2011; a terceira de 16 a 21 de janeiro de 2012 e a quarta de 21 a 26 de maio de 2012.

Para o levantamento dos dados sobre mamíferos foram utilizados diferentes métodos visando à amostragem de diferentes grupos: voadores (Chiroptera), mamíferos de pequeno porte (roedores e marsupiais) e médio e grande porte. Sendo que as amostragens de mamíferos voadores e de mamíferos de grande porte ocorreram apenas na primeira campanha de julho de 2011.

Mamíferos de médio e grande porte foram amostrados através do uso de duas armadilhas fotográficas analógicas Tigrinus®, estas permaneceram em campo por 30 dias entre os dias 15 de julho de 2011 e 15 de agosto de 2011. Para aumentar a eficiência da amostragem, iscas (banana com pasta de amendoim, pedaços de bacon) foram utilizadas como atrativo. Além disso, a fazenda foi percorrida em busca de vestígios, como pegadas, arranhões e fezes, que foram identificadas com o auxilio de guias específicos (Becker e Dalponte, 1991). Duas saídas noturnas foram realizadas visando o confronto direto com os animais. Entrevistas não padronizadas, na forma de conversa, com funcionários da fazenda também foram realizadas durante as atividades de campo.

Para a amostragem sistematizada de pequenos mamíferos (roedores e marsupiais) foram definidos oito pontos amostrais de acordo com sua fitofisionomia, sendo eles: Antrópico (An), Banhado (B), Eucalipto (E), Pastagem (P), Mata em estágio inicial de regeneração (MI), Mata em estágio médio de regeneração (MM) e Mata em estágio avançado de regeneração (MA) e Manguezal (Mg) (Figura 1). Sendo que a partir da segunda campanha o Manguezal deixou de compor um ponto amostral.

Em cada ponto amostral foram utilizados 10 armadilhas live traps pequenas, sendo cinco armadilhas tipo sherman e cinco tipo young. Na área de pastagem e nos três estágios de sucessão (inicial, médio e avançado) também foram utilizadas ao menos uma armadilha young de tamanho médio e uma grande. Como isca, foram utilizados pedaços de banana untados com pasta de amendoim e/ou fatias de bacon. Na área de mata avançada também foram utilizadas 10 armadilhas tipo young, armadas no sub-bosque, no mínimo a 1,5 metros de altura durante a campanha de julho e novembro. Uma nona área foi amostrada com uma armadilha sherman e 5 young durante a campanha de julho, e com duar armadilhas young médias nas demais campanhas, sendo esta a área florestal utilizada para acesso ao banhado.

Para a amostragem de mamíferos voadores (morcegos) foram realizadas 2 saídas noturnas e ao todo amostrado 3 ambientes. Em cada ambiente foram armadas 2 redes de neblina de 3 e 4 bolsas e 4 a 6 metros que ficaram dispostas em corredores naturais. As redes permaneceram abertas 4 horas a partir do entardecer/ início da noite.

O esforço amostral total foi de 1664 armadilhas-noite, para as armadilhas de captura, 60 armadilhas-dia para as armadilhas fotográficas e 20 horas para as redes de neblina.

O estudo estabelece uma comparação com o levantamento bibliográfico das espécies de mamíferos ocorrentes na ilha de Santa Catarina, considerando como fonte Graipel et al. (2001) e Cherem et al.(2004).

3.3      RESULTADOS E DISCUSSÃO

Atualmente a Ilha de Santa Catarina conta com 25 espécies de mamíferos terrestres (Graipel et al., 2001) e 21 mamíferos voadores (Cherem et al., 2004). Durante as atividades de campo foram confirmadas para a área em questão sete espécies de pequenos mamíferos – Akodon montensis, Olygoryzomys nigripes, Didelphis aurita, Lutreolina crassicaudata e Marmosa paraguayanus através de captura, Myocastor coypus através de pegadas e Phyllomys sp. por encontro ocasional e fotografia. Além de capturas de Rattus novergicus, espécie exótica.

Em relação às espécies voadoras, nenhuma espécie foi capturada, porém vários animais foram vistos voando. A ausência de captura pode ser explicada pelas características da paisagem da fazenda, uma vez que a área apresenta um predomínio de paisagens abertas, e isso diminui a eficiência das redes de neblina, pois não há a concentração de indivíduos em corredores de passagem, como rios e trilhas em áreas florestadas, onde as redes são armadas de costume.

Quanto ao armadilhamento fotográfico, foram obtidas cinco fotos de cachorro doméstico; uma de L. crassicaudata no ambiente florestal próximo ao banhado e 10 fotos de D. aurita no ambiente de mata avançada. Próximo às construções das salas de aula, são mantidos cachorros pelos funcionários locais, bem como a proximidade das residências facilita a circulação de cães domésticos pelas áreas naturais.

Em relação aos ambientes, na área de Eucalipto não foi obtido nenhum registro, o que é esperado por se tratar de um pequeno fragmento e não apresentar nenhum atrativo, como alimento ou abrigo, para a mastofauna de uma forma geral.

No ambiente antrópico foram registrados apenas indivíduos mortos de R. novergicus. Relaciona-se isso a presença de fortes atrativos, como acúmulo de alimento – grão estocados e lixeiras – assim como áreas para abrigos, principalmente para espécies sinantrópicas como Mus musculus e Rattus sp.. Crê-se ser esta a possível explicação para a ausência de capturas. Também a grande quantidade de cães presentes na fazenda, que acabam permanecendo principalmente próximo as instalações humanas e afugentam as espécies selvagens que se aproximam.

A área inicial de regeneração apresentou capturas de duas espécies de roedores A. montensis e Oligoryzomys sp., além da captura de L. crassicaudata. Ainda foram observados indícios dos animais como fezes e iscas comidas.

Na área em estágio médio de regeneração, das três espécies obtidas obteve-se: rato-do-mato (A. montensis), cuíca-de-cauda-grossa (L. crassicaudata) e Cuíca-cinza (M. paraguayanus).

Na área de mata em estágio avançado de regeneração foram capturadas três espécies: gambá-de-orelha-preta (D. aurita), ratos-do-mato (A. montensis) e cuíca-de-cauda-grossa (L. crassicaudata). Nesta área foi feita a amostragem por armadilha fotográfica, com registros apenas de gambá (D. aurita).

Na área de pastagem foram capturadas duas espécies, cuíca-de-cauda-grossa (L. crassicaudata) e camundongo-do-mato (O. nigripes).

No mangue foi capturada apenas uma espécie, rato-do-mato (A. montensis).

A área de banhado foram registradas três espécies: L. crassicaudata, A. montensis e Oligoryzomys sp.. Nesta área ocorreu o maior número de capturas de mamíferos (vinte e nove). Na área florestal anterior ao banhado foram capturados indivíduos de cuíca-de-cauda-grossa (L. crassicaudata) e de gambá (D. aurita).

A maioria das espécies da Mata Atlântica não é capaz de ocupar áreas abertas, como pastagens ou campos artificiais, os quais são dominados por espécies generalistas e características de formações abertas como o Cerrado (Stallings 1989, Stevens & Husband 1998, Feliciano et al. 2002, Pardini e  Umetsu 2006). Assim, em ambientes alterados como a fazenda da Ressacada, onde grande parte da área é aberta, a importância da manutenção e criação de fragmentos que funcionem como corredores ecológicos se faz importante.

Vislumbrou-se que os ambientes com maior número de espécies detectadas e com maior número de captura corresponderam aos ambientes que apresentam melhor estado de conservação (estágio médio e avançado de regeneração e os banhados), corroborando a ideia de que a mastofauna de Mata Atlântica possui pouca representatividade em ambientes abertos.

Um registro relevante para a área foi a cuíca da cauda grossa (L. crassicaudata), animal considerado vulnerável pela lista da fauna ameaçada do estado de Santa Catarina (IGNIS, 2010). A mesma possui um corpo longo e flexível que a torna bastante ágil em ambientes abertos, sendo uma espécie associada a ambientem alagadiços, cursos d’água e mangues (Graipel et al., 2001) cuja principal ameaça é decorrente da drenagem de banhados e queimadas em campos naturais e matas ciliares (Margarido e Braga, 2004). A área da fazenda da ressacada com 17% de banhado e parte de pastagens subexploradas é um ambiente muito favorável à espécie.  Deste modo qualquer atividade desenvolvida na fazenda deve levar em consideração a espécie, de forma a não impactar os ambientes por ela explorados, principalmente as áreas de banhado. Vê-se a importância em manter estes ambientes e controlar e monitorar o uso de pesticidas, a canalização de esgotos e outros dejetos e matérias tóxicos que possam intoxicar os recursos hídricos locais.

A presença esperada por relatos de funcionários da fazenda de mamíferos de maior porte como tatus (Dasypus sp. e Cabassous tatouay) e cachorros-do-mato (Cerdocyon thous) principalmente, tanto quanto de outros mamíferos de mesmo porte como tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) – um indivíduo encontrado morto posteriormente, mão-pelada (Procyon cancrivorus) e quatis (Nasua nasua) é possível, pois poderiam utilizar a área da fazenda para forrageio e refúgio. Para estes e também para a fauna de pequenos mamíferos uma grande ameaça presente é a grande quantidade de cães soltos que permanecem próximo à sede da fazenda e do CEFA, sabe-se que cães domésticos possuem um grande impacto na fauna silvestre e medidas de controle populacional e contenção destes animais devem ser tomadas visando a proteção da fauna nativa. Há exemplo disto tivemos o caso do único indivíduo de gambá capturado na área de estágio avançado de regeneração (o qual foi registrado também por armadilhamento fotográfico) e que não tornou a ser capturado após ser encontrada armadilha com indícios de ter sido destruída por cães.

3.4      REGISTROS FOTOGRÁFICOS OBTIDOS NA FAZENDA EXPERIMENTAL DA RESSACADA E CAMPUS EM AGOSTO DE 2011.

Figura 2. Marmosa paraguayanus (Cuíca-cinza)

Foto: Felipe Moreli Fantacini

Figura 3. Lutreolina crassicaudata (Cuíca-da-cauda-grossa)

Foto: Laise Orsi Becker

Figura 4. Akodon montensis (Rato-do-mato)

Foto: Felipe Moreli Fantacini

Figura 5. Didelphis aurita (Gambá)

Foto: Felipe Moreli Fantacini

Figura 6. Pegada de Myocastor coypus (Ratão-do-banhado)

Foto: Guilherme Willrich

Figura 7. Phyllomys sp. (Guaiquica)

Foto: Guilherme Willrich

4    ICTIOFAUNA

4.1      INTRODUÇÃO

A Universidade Federal de Santa Catarina está dando início a um empreendimento para construção de uma área de treinamento e capacitação para os alunos, situado na região centro-sul da ilha de Santa Catarina.  A fim de avaliar a viabilidade deste empreendimento, foi realizado um Estudo Ambiental Simplificado (EAS), no qual foram levantadas informações bibliográficas que tratam dos peixes registrados na região da área da propriedade.

O Estado de Santa Catarina esta inserido nos domínios da Mata Atlântica, onde encontramos riachos típicos deste ecossistema, com elevada transparência, águas frias (15º a 24°C), substrato rochoso, corredeiras freqüentes e recobertas pela vegetação ciliar. As bacias hidrográficas brasileiras, especialmente a Leste, domínio sob o qual se encontra o Estado de Santa Catarina, são compostas de riachos de pequeno a médio porte, com gradientes de declividade associados à diferenças de fluxo; além disso, a instabilidade ambiental é marcante, devida a pluviosidade, desestruturação dos leitos  e alterações de fluxo (RIBEIRO, 2006).

Fazendo parte integrante do ecossistema, a fauna é um dos fatores responsáveis pela sua configuração, encontrando-se dessa forma, intimamente relacionada à vegetação e o solo. Por essa razão, a degradação de um desses componentes pode afetá-la diretamente. De maneira geral, ambientes aquáticos da Mata Atlântica encontram-se bastante ameaçados pela ação antrópica, uma vez que são utilizados para captação de água, para agricultura e pecuária, bem como despejo de efluentes, entre outros.

Os peixes destes ambientes geralmente apresentam íntima associação com a vegetação marginal, considerada fonte de alimento para muitas espécies, além de ser um local apropriado para abrigo (em meio às raízes, folhas e troncos que invadem o corpo d’água) e sitio de reprodução para os mesmos.

A diversidade de peixes de água doce do Estado de Santa Catarina abriga uma fauna peculiar, rica em espécies endêmicas (restritas a uma dada região) compreendendo aproximadamente 85 espécies descritas (BUCKUP et al., 2007; LUCINDA, 2008; GHAZZI, 2008; CARVALHO & REIS, 2009; OYAKAWA & MATOX, 2009).

Ainda assim, estudos de peixes desta região, esclarecendo o modo de vida das espécies e seus hábitos são deficientes e as informações sobre esta importante comunidade, principalmente do município de Florianópolis, são restritas a poucos estudos (por exemplo: BERTACO, 2009; BERTACO & LUCENA, 2010).

4.2      OBJETIVOS

4.2.1     OBJETIVO GERAL

Qualificar a ictiofauna na Área da Fazenda Experimental da Ressacada no município de Florianópolis / SC, com base em levantamentos bibliográficos. Além de apontar os principais fatores que podem colocar em risco a integridade dos ambientes aquáticos.

4.2.2     OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Reunir informações sobre a ictiofauna dos ambientes;
  • Determinar a diversidade das espécies de peixes;
  • Associar a diversidade ictiofaunística ao ambiente como um todo;
  • Analisar situações ambientais em que possam colocar em risco a ictiofauna.

4.3      RESULTADOS DO LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO DA ICTIOFAUNA

O presente estudo baseia-se em levantamentos de espécies, obtidos com base em coletas científicas realizadas em diversos rios e cursos d’água da ilha de Santa Catarina, pelo Laboratório de Ecologia de Peixes – LEP/ CCB/ UFSC. Também foram utilizados registros de espécimes da região, obtidos na Coleção Ictiológica da UFSC (CIUFSC) e uma publicação recente de modo a ressaltar possíveis espécies que ocorram no local. Para fins deste estudo, em todas as bibliografias pesquisadas, foi considerada apenas levantamentos em corpos de água situados na região centro-sul e sul da ilha de Santa Catarina, devido à proximidade com a bacia da fazenda da Ressacada.

Na Tabela 1, estão listados indivíduos que ocorrem no centro-sul e sul da Ilha de Santa Catarina. Ponto 1: Relatório de pesquisa realizado no verão de 2012 pelo Laboratório de Ecologia de Peixes (LEP/UFSC), (Projeto FAPESC – Peixes de riachos da Mata Atlântica: diversidade faunística na Grande Florianópolis, Santa Catarina – 20.156/2010-1). Ponto 2: Levantamento realizado pelo Laboratório de Ecologia de Peixes (dados não publicados) no verão de 2011, em um riacho do bairro Ribeirão da Ilha, próximo a área da ressacada. Ponto 3: Levantamento e monitoramento realizado em dois riachos e na lagoa do parque municipal da Lagoa do Peri, pelos laboratório de Ecologia de Peixes (LEP/UFSC) e Laboratório de Biologia e Cultivo de Peixes de Água Doce (LAPAD/UFSC). Ponto 4A e 4B: Levantamento realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (dados publicados por Bertaco, 2009).

No total, 11 famílias e 18 espécies (Figura 8) foram reconhecidas neste levantamento da área do empreendimento, e arredores, no sul da Ilha de Santa Catarina. Todas as espécies aqui listadas são conhecidas da ciência e ocorrentes na ilha em várias localidades geográficas. Todavia, Hollandichthys sp. é uma espécie considerada nova, não descrita (comunicação pessoal Dr. V. Bertaco, UFRGS) e Astyanax spp. ainda não tem seu status definido e permanece sem nome científico (comunicação pessoal Dr. C.A.S de Lucena, PUCRS). As espécies Poecilia vivipara, Poecilia reticulate e Oreochromis niloticus são espécies exóticas introduzidas artificialmente e freqüentes na Ilha de Santa Catarina.

Tabela 1. Lista de espécies de peixes ocorrendo no sul da Ilha de Santa Catarina (1.Bairro Tapera – Ressacada; 2.Ribeirão da Ilha; 3.Lagoa do Peri(rio Ribeirão Grande, rio Cachoeira Grande);  4A – Rio Tavares; 4B – bacia da lagoa do Peri (BERTACO, 2009).

Familia

Espécies

1

2

3

4A

4B

Characidae

Astyanax spp.

X

X

X

Deuterodon singularis

X

Hollandichthys sp.

X

Hyphessobrycon boulengeri

X

X

X

X

Oligosarcus hepsetus

X

Cichlidae

Geophagus brasiliensis

X

X

X

X

Oreochromis niloticus

X

Curimatidae

Cyphocharax voga

X

Eleotridae

Dormitator maculatus

X

Erythrinidae

Hoplias malabaricus

X

X

X

Gymnotidae

Gymnotus cf. pantherinus

X

Heptapteridae

Rhamdia quelen

X

X

Loricariidae

Pseudothothyris obtusa

X

Poeciliidae

Phalloceros harpagos

X

X

X

X

Phalloptychus iheringii

X

Poecilia vivipara

X

X

Rivulidae

Kryptolebias caudomarginatus

X

Synbranchidae

Synbranchus marmoratus

X

X

4.4      DESCRIÇÃO DA FAUNA DE PEIXES

Os espécimes de Phalloceros harpagos são diminutos, com cerca de 3 ou 4 cm de comprimento total. Habitam as drenagens costeiras do Espírito Santo ao rio Ararángua/SC e a bacia do Paraná-Paraguai (LUCINDA, 2008). Apresentam o terceiro, quarto e quinto raios da nadadeira anal dos machos modificados em um órgão copulador (gonopódio); tem fertilização interna e são vivíparos; o macho é geralmente bem menor que a fêmea. Alimentam-se de larvas de insetos que vivem na superfície da água. Os indivíduos do gênero Phalloceros são coletados em praticamente todos os tipos de ambientes dulcícolas e salobras, desde aqueles bastante oxigenados e com correnteza, até ambientes de remanso, com pouco oxigênio dissolvido e temperatura relativamente elevada.

Geophagus brasiliensis é uma espécie de pequeno a grande porte, comprimento total variando de 7,5 a 21 cm, apresentam em geral colorido bastante atrativo e dimórfico. As espécies da família Cichlidae a qual G. brasiliensis pertence, possuem a linha lateral dividida em dois ramos; corpo com escamas; pré-maxilar móvel e boca protátil; primeiros raios das nadadeiras modificados em espinhos. Os machos podem apresentar uma protuberância na cabeça, o que lhe confere o nome popular de cará-cartola. São de hábitos diurnos e solitários e de ambientes lênticos; alimentam-se de peixes, detritos e invertebrados aquáticos. São peixes que se adaptam facilmente a vários tipos de ambientes.

A espécie Hyphessobrycon boulengeri pertence a família Characidae, um grande grupo de peixes que habitam diversificadamente os rios da região Neotropical. Ocupam os mais variados hábitats incluindo rios, riachos, lagoas, represas e áreas pantanosas. Vivem em ambientes de remanso nos rios e riachos e podem estar presentes também em ambientes alterados pelo ser humano. São peixes de hábito diurno, dependentes da alimentação do material proveniente da mata ciliar, já que se alimentam de insetos terrestres que caem na superfície da água.

          Hoplias malabaricus é uma espécie carnívora, neotropical pertencente à família Erythrinidae, que possui ampla distribuição geográfica, ocorrendo em todas as bacias hidrográficas da América do Sul (OYAKAWA et al., 2006). Apresenta grande adaptação a diferentes ambientes vivendo em águas calmas dos riachos, rios e lagos, muitas vezes em meio à vegetação esperando pela sua presa (predador de espreita). São animais de hábito preferencialmente noturno, territorialistas e vorazes, alimentam-se principalmente de outros peixes.

O gênero Astyanax possui variadas espécies, e pode ser caracterizado como um dos gêneros mais diversificados e de ampla distribuição entre os peixes neotropicais. Possuem escamas por todo corpo, com exceção da cabeça; nadadeira adiposa; raios das nadadeiras moles; pré-maxilar fixo e boca não protátil. São exclusivamente da água doce, diurnos e apresentam diversificados nichos ecológicos. Sua dieta é composta principalmente por insetos e material vegetal.

Rhamdia quelen possui hábitos diurnos e solitários, vivendo em ambientes lênticos. Alimenta-se de peixes, detritos e invertebrados aquáticos. São peixes que se adaptam facilmente a vários tipos de ambientes. Podem atingir até 47 cm de comprimento. Vivem associados a leitos pedregosos com correntes fortes ou ambientes lênticos. São considerados “peixes de couro”, com três pares de barbilhões, nadadeira adiposa bem desenvolvida, nadadeira caudal bifurcada, e primeiro raio da dorsal e peitoral precedido por espinho pungente. A espécie é restrita a região Neotropical.

Synbranchus marmoratus é a única espécie do gênero Synbranchus, que ocorre no sul do Brasil. Habitam áreas de remanso nas margens de rios e lagoas; são mais ativos à noite quando se alimentam de invertebrados aquáticos e peixes. São de médio a grande porte, aproximadamente 50 cm podendo chegar a 150 cm, possuem o corpo serpentiforme e sem escamas, uma única abertura branquial sob a cabeça, e não apresentam nadadeiras peitoral e pélvica, e as demais são atrofiadas. Apresentam respiração aérea e podem viver em ambientes quase sem água, mantendo-se enterrados na lama até a próxima chuva.

Gymnotus cf. pantherinus é de água doce, solitária e de hábitos noturnos. Utiliza uma pequena descarga elétrica para se alimentar de insetos e pequenos peixes. O corpo é totalmente coberto por pequenas escamas, alongado tendendo a cilíndrico e subcilíndrico; possui a nadadeira anal muito longa e a caudal é reduzida ou ausente; a cabeça é deprimida (achatada); a boca é grande, sendo que a mandíbula é maior que a maxila superior (prognatos); apresentam dentes cônicos e fortes.

Entre as espécies que foram registradas neste estudo vale ressaltar que as espécies Geophagus brasiliensis, Rhamdia quelen e Hoplias malabaricus são bastante comuns em todas as bacias hidrográficas brasileiras (BUCKUP et al., 2007). As espécies Hyphessobrycon boulengeri, Oligosarcus hepsetus e Cyphocharax voga, foram encontradas apenas nos pontos do bairro Tapera – Ressacada e no bairro Ribeirão da Ilha. BERTACO (2009) igualmente, não reportou registros das mesmas nos rios do norte da Ilha de Santa Catarina, e tão pouco, estas espécies tem registro de coleta na coleção ictiológica da UFSC (CIUFSC). Considerando os dados obtidos em campo e na literatura, percebe-se que nos rios do sul da ilha de Santa Catarina tem uma fauna de peixes relativamente diversificada, com algumas espécies restritas a esta região.

4.5      IMPACTOS E MEDIDAS MITIGATÓRIAS

4.5.1     IMPACTOS

  • Assoreamento de curso d’ água:

A movimentação de maquinário pesado e veículos, assim como a remoção de solo, facilitam o escoamento de sedimentos através das águas das chuvas para os córregos e banhados. Estes sedimentos alem de provocar assoreamentos, podem influenciar nas comunidades de fito e zooplâncton, ameaçando as espécies de peixes dependentes desta microbiota.

  • Perda da cobertura vegetal:

A remoção do solo inclui a retirada da sua camada de vegetação. Uma parte considerável da vegetação local foi alterada em função das atividades agropastoris já realizadas.

  • Ausência da Mata Ciliar:

Ausência da mata ciliar em muitos trechos dos corpos d’água estudados. As matas ciliares são de suma importância para os riachos, pois são consideradas como uma barreira, segurando materiais que chegam com as enxurradas, provocando então o assoreamento do curso d’água.

  • Destruição de habitats:

Poderá impactar temporariamente as áreas de alimentação, refugio, desova e crescimento da ictiofauna;

  • Afugentamento da fauna através da alteração na qualidade da água

Dentre as alterações o comportamento do ecossistema pode ser modificados através de mudanças nas condições de turbidez, temperatura, condutividade, oxigênio e Ph.

3.7.4.5.2     MEDIDAS MITIGATÓRIAS

 

  • Programa de Monitoramento da Ictiofauna

A atividade do monitoramento da fauna presente possibilita conhecer não apenas as espécies presentes, mas também seus hábitos alimentares, períodos reprodutivos, locais de abrigo, entre outras informações ecológicas. Ao preencher estas lacunas há uma grande contribuição para a conservação do meio ambiente, possibilitando o desenvolvimento de outros projetos científicos na região, alem da possibilidade de promover a conscientização ambiental.

  • Programa de monitoramento da qualidade da água

O monitoramento da qualidade da água dos ambientes é extremamente importante para preservação da comunidade aquática, pois a presença de substancias poluentes e alterações nos parâmetros físicos afetam diretamente a alimentação e reprodução da fauna presente.

  • Preservação da Mata Ciliar

Programa de restauração e preservação da mata ciliar, pois ela é extremamente importante na conservação da ictiofauna, já que muitas espécies são altamente dependentes do aporte orgânico oriundo da mata.

4.6      CONSIDERAÇÕES FINAIS

Qualquer modificação realizada no entorno de corpos d´água irá afetar diretamente toda a comunidade de peixes existente no local, pois altera todo seu padrão reprodutivo e seus hábitos alimentares, fazendo com que a população diminua.

Em função de suas características ecológicas, os peixes são organismos sensíveis as variações do ambiente. Ao mesmo tempo, existem espécies resistentes a alterações ambientais. Alguns gêneros como Hollandichthys e Deuterodon são bastante vulneráveis as ações antrópicas, por serem dependentes de material oriundo de fora do ambiente aquático (LUCENA & LUCENA, 2002).

O estudo e monitoramento da ictiofauna é uma ferramenta de relevância para a avaliação dos impactos ambientais ao longo do tempo. Algumas espécies de peixes são negativamente afetadas pelos efeitos decorrentes do processo de poluição dos corpos d’ água e retirada da mata ciliar (ESTEVES & ARANHA, 1999; CASSATI et al., 2001)

Vale ressaltar, baseando-se nos dados da distribuição e diversidade das espécies listadas, e nas observações da literatura acima, que os rios ao sul da ilha de Santa Catarina, devem ser monitorados na medida do possível, e medidas preservacionistas devem ser adotadas, a fim de que estas espécies não desapareçam destes locais.

4.7      REGISTROS FOTOGRÁFICOS OBTIDOS NA FAZENDA EXPERIMENTAL DA RESSACADA E CAMPUS

Figura 8. Alguns exemplares encontrados na área da Fazenda experimental da Ressacada. A: Synbranchus marmoratus. (Fotografia de Sonia Buck); B: Geophagus brasiliensis (Fotografia de Lucas N. Teixeira); C: Rhamdia quelen (Fotografia de Lucas N. Teixeira); D: Phallocerus sp. (Oyakawa et al., 2006); E: Hyphessobrycon boulengeri (Fotografia de F. Carvalho); F: Hoplias malabaricus (Fotografia de Marcelo Venturi); G: Gymnotus sp. (Fotografia de Miriam S. Ghazzi).


5 HERPETOFAUNA

5.1      ANFÍBIOS

5.1.1     INTRODUÇÃO

Os anfíbios são animais que possuem, em sua maioria, uma fase de seu ciclo de vida na água quando larvas e uma fase adulta em ambiente terrestre. Durante a fase larval, os indivíduos respiram por brânquias, assim como os peixes, enquanto que na fase adulta, após o processo de metamorfose, esses animais respiram através de pulmões e pele. Esses dois ciclos de vida foram responsáveis pela nomeação do grupo: amphi em grego significa dois e bio, vida; portanto, vida dupla (Duellman et al., 1986).

O grupo está distribuído em três ordens: Gymnophiona (cobras-cegas), Caudata (salamandras) e Anura (sapos, pererecas e rãs). Os primeiros são pouco conhecidos devido ao seu hábito de vida em galerias subterrâneas. Indivíduos da ordem Caudata são comumente confundidos com lagartixas, sendo são encontrados, no Brasil, apenas na bacia Amazônica (Haddad et al., 2008). Já a ordem Anura, grupo mais diverso dos anfíbios, possui uma distribuição ampla ocorrendo em toda a superfície da Terra, exceto nas regiões polares. A cauda é ausente nos adultos e seus membros são adaptados ao salto.

O Brasil é o país com maior diversidade de anfíbios anuros do mundo (Haddad et al., 2008; Ribeiro et al., 2005), sendo que a Sociedade Brasileira de Herpetologia reconhece atualmente cerca de 946 anuros em sua lista nacional (SBH, 2012) . Para o estado de Santa Catarina, estado outrora totalmente coberto pela Mata Atlântica, são registradas cerca de 140 espécies de anuros, os quais representam 35% do total das espécies observadas para toda a região de ocorrência do Bioma Mata Atlântica (Lucas, 2008), o qual é reconhecido pela sua riqueza em espécies de anuros (Araujo et al., 2009)

Os anuros possuem grande importância ecológica, uma vez que, na teia alimentar, além de serem presas para diversos grupos, eles são ainda capazes de controlar populações de vários invertebrados (Freitas et al., 2004), inclusive insetos parasitas, transmissores de doenças e pragas agrícolas (Haddad et al., 2008) e de pequenos vertebrados. Apesar da importância desses animais em diversos sistemas ecológicos, suas populações vêm declinando, e isso ocorre principalmente pelo crescimento da população humana e sua consequente interferência no ambiente.

Segundo Duellman e Trueb (1986) há duas grandes ameaças às populações de anuros: a destruição de seus habitats e a poluição. Desde o final do século XX, as florestas tropicais úmidas estão sendo constantemente degradadas região de maior diversidade de anuros (AmphibiaWeb, 2012). Da mesma forma, essa degradação é observada na Mata Atlântica, Bioma cujo remanescente é de apenas 7% da cobertura inicial (Câmara, 2003). Em relação à poluição, os produtos químicos utilizados na agricultura para controle e morte de pragas se acumulam no ambiente, provocando deformações e redução na sobrevivência dos girinos e adultos, ou mesmo atingindo níveis letais para os ovos e girinos. Outros fatores também podem influenciar no declínio das populações, como exemplo a chuva ácida, a introdução de espécies exóticas invasoras e algumas doenças, como a causada pelo fungo Batrachochytridium dendrobatidis, que é indicado como possível agente de declínio de populações de diversas espécies (Stuart et al, 2004; Carnaval et al, 2006). Por serem sensíveis às mudanças ambientais, os anuros são considerados bioindicadores, e o conhecimento obtido durante inventários faunísticos torna-se uma importante ferramenta, permitindo a criação de estratégias de conservação.

5.1.2     METODOLOGIA

Para o estudo dos anfíbios foi elaborada a tabela 2 com a provável ocorrência de anfíbios na região através de um levantamento bibliográfico dos anfíbios da ilha de Santa Catarina, Florianópolis, SC. Além disso, para a ocorrência comprovada de espécies de anfíbios foi utilizada uma pesquisa realizada na Fazenda da Ressacada e Campus por alunos e professores do curso de Ciências Biológicas da UFSC no período de julho de 2011 a junho de 2012 (dados não publicados).

Nesse estudo, foram amostrados 8 pontos: Antrópico (An), Banhado (Bn), Silvicultura (Si), Mata em estágio inicial de regeneração (Mi), Mata em estágio médio de regeneração (Mm), Mata em estágio avançado de regeneração (Ma), Manguezal (Mg) e Pasto (Pa) (figura 1). Esses pontos foram selecionados com base num levantamento da cobertura vegetal nativa realizado na Fazenda da Ressacada em 2010 e não com base na ocorrência de anfíbios.

5.1.3     RESULTADOS

Através de dados da Coleção Herpetológica da UFSC (CHUFSC, Curador Selvino Neckel de Oliveira) e outros trabalhos (LUCAS, 2008) foi constatada a ocorrência de 48 espécies de anfíbios para a ilha de Santa Catarina. Na pesquisa desenvolvida na Fazenda da Ressacada e Campus foram registradas 15 espécies de anfíbios anuros no período de julho de 2011 a junho de 2012. Todos os indivíduos foram identificados até o menor nível taxonômico, mesmo aqueles de espécie considerada incertae sedis, como Scinax cf. alter, Leptodactylus cf. engelsi, Leptodactylus aff. engelsi e Leptodactylus cf. araucaria).

Além dessas 15 espécies existe uma grande probabilidade de Elachistocleis bicolor ocorrer na Fazenda da Ressacada uma vez que ocorre no Campeche (bairro vizinho) (CHUFSC) e há registros desta espécie no aeroporto (Larissa Zanette, comunicação pessoal).

A maioria das espécies registrada ocorreu em mais de um tipo de ambiente (ver tabela 2), explicitando a capacidade das mesmas em ocupar áreas de baixa qualidade ambiental como as silviculturas e ambientes antropizados. Entretanto as espécies Dendropsophus minutus, Scinax argyreornatus, Phyllomedusa distincta e Hypsiboas faber ocorreram em ambientes específicos. Além dos oito pontos amostrados, foram identificados alguns microambientes com estrutura propícia para a ocorrência de anfíbios anuros (figura 9).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tabela 2. Distribuição das espécies de anfíbios anuros registradas entre os meses de julho de 2011 a junho de 2012, na Fazenda da Ressacada e Campus de Santa Catarina, Florianópolis, SC. An (Antrópico), Bn (Banhado), Si (Silvicultura), Ma (Mata Avançada), Mg (Manguezal), Mi (Mata Inicial), Mm (Mata Média), Pa (Pasto).

Figura 9. Mapa dos pontos amostrais – Antrópico (1), Banhado (2), Silvicultura (3), Pasto (4), Mata Inicial (5), Mata Média (6), Mata Avançada (7), Manguezal (8) – e dos microambientes identificados como propícios à ocorrência de anfíbios anuros, representados por ∆ (delimitação vermelha) e ◊ (delimitação azul).

Figura 10. Curva do Coletor para Amostragem de Anfíbios.

5.1.4     REGISTROS FOTOGRÁFICOS OBTIDOS NA FAZENDA EXPERIMENTAL DA RESSACADA E CAMPUS

Figura 11. Dendropsophus microps

Foto: Carolina Erbes

Figura 12. Dendropsophus minutus

Foto: Carolina Erbes

Figura 13. Leptodactylus gracilis

Foto: Carolina Erbes

Figura 14. Leptodactylus latrans

Foto: Carolina Erbes

Figura 15. Physalaemus nanus

Foto: Carolina Erbes

Figura 16. Scinax aff. alter

Foto: Felipe Moreli Fantacini

Figura 17. Phyllomedusa distincta

Foto: Carolina Erbes

Figura 18. Scinax argyreornatus

Foto: Carolina Erbes

5.1.5     DISCUSSÃO

Como observado na Figura 10, a curva do coletor estabilizou a partir do oitavo dia de amostragem. Isso indica que a metodologia utilizada no atual estudo foi eficiente, tornando pouco provável o registro de espécies com ocorrência inédita na região.

As espécies encontradas são em sua maioria generalistas, ou seja, possuem uma ampla preferência de habitats (Ricklefs, 2009). Isso pode ser evidenciado pelo registro de diversas espécies em ambientes com baixa qualidade ambiental como Antrópico, Silvicultura e Pasto (vide legenda da tabela 2).

No estudo realizado entre junho de 2011 e junho de 2012 foi considerado como ambiente Antrópico os locais onde já haviam algumas construções. Esse ambiente possuía uma certa variedade de estrutura, apresentando além de construções, pilhas de madeira, entulhos, valas (algumas sempre alagadas, outras temporariamente), um lago artificial, um lago natural e plantações. Com exceção de Dendropsophus minutus (pererequinha) e Phyllomedusa distincta (perereca-das-folhas), todas as espécies que ocorreram no Antrópico, ocorreram também em outros ambientes.

Dendropsophus minutus é uma perereca que tem como principal sítio reprodutivo áreas abertas com gramíneas próximas à margem (Oliveira et al., 2007), além disso, utiliza todos os tipos de corpos d’água (Maffei et al., 2011). A característica aberta do ambiente antrópico juntamente com a presença de valas alagadas com gramíneas na margem pode ter reunido condições ambientais propícias para a ocorrência de tal espécie apenas nesse ambiente, já que não foi encontrada nos demais ambientes.

Segundo Garcia e Kwet (2004), Phyllomedusa distincta vive no interior e borda de florestas primárias e secundárias úmidas, mas nunca em áreas abertas. Embora seja contraditória a presença da mesma em um ambiente totalmente aberto e antropizado, um microhabitat local pode explicar a ocorrência desta espécie. O local consistia em uma lagoa artificial com árvores em volta, nas quais os indivíduos de P. distincta foram encontrados. Além disso, imediatamente atrás desta lagoa havia uma mata representada na figura 9 como ∆ (delimitação vermelha). Embora esta mata não tenha sido escolhida como ponto amostral, a presença de Phyllomedusa distincta próxima a essa mancha de mata nos faz considerá-la como um microambiente propício para a ocorrência de outras espécies de anfíbio. P. distincta é uma espécie arborícola que põe seus ovos nas folhas de árvores próximas a lagoas, onde os girinos caem quando eclodem (Instituto Rã-Bugio, 2010). Embora não seja considerada como ameaçada de extinção no Brasil , a tendência mundial da população está classificada como “em declínio” (IUCN, 2012). A destruição dos locais apropriados para reprodução tem feito esta espécie desaparecer pelo estado de Santa Catarina (Instituto Rã-Bugio, 2010).

As demais espécies registradas no ambiente Antrópico,dependem apenas de água parada para se reproduzir (como Dendropsophus microps – pererequinha-da-mata, Scinax cf. alter – perereca do litoral e Scinax perereca – perereca-de-banheiro) ou poças e chão úmido (Leptodactylus gracilis – rã-goteira, Leptodactylus latrans – rã-manteiga, Physalaemus cuvieri – rã-cachorro e Physalaemus nanus – rãzinha-do-folhiço). A baixa exigência na qualidade ambiental  permite a ocorrência dessas espécies tanto no ambiente Antrópico como nos demais ambientes da Fazenda da Ressacada e Campus.

O Pasto era um ambiente completamente aberto, utilizado para criação de gado, possuindo apenas alguns arbustos. Embora bastante seco, o solo e as gramíneas possibilitavam o acúmulo de água após as chuvas. Além disso, em um dos seus extremos havia uma vala alagada. As espécies que ocorreram no pasto foram semelhantes às ocorridas no ambiente Antrópico e nenhuma delas possuiu uma ocorrência exclusiva neste ambiente. Situação semelhante ocorre com a Silvicultura (plantação de Eucalyptus spp. – eucalipto) e com a Mata Inicial (vegetação arbustiva), ambos com bastante folhiço e também com valas alagadas próximas.

Os Manguezais são consideradas as zonas úmidas mais importantes do planeta (Lignon, 2005), apresentando condições propícias para alimentação, proteção e reprodução de espécies animais, além de ser um ambiente reciclador de nutrientes e matéria orgânica (Rema Atlântico, 2008). Entretanto, devido à falta de segurança dos arredores, o Manguezal não pode ser amostrado no período noturno, no qual os anfíbios anuros apresentam maior atividade. Isso pode ter refletido no baixo número de espécies registradas neste ponto amostral.

Os ambientes de Banhado,Mata Avançada e Mata Média possuíam uma maior complexidade ambiental. Além das outras espécies que ocorreram nos demais ambientes já citados (Antrópico, Silvicultura, Pasto e Mata Inicial), os ambientes de Banhado,Mata Avançada e Mata Média possuíam uma maior complexidade ambiental e algumas peculiaridades. A espécie Hypsiboas faber (rã-martelo) ocorreu apenas no Banhado, mas não exatamente no ponto amostral e sim na região representada por ◊ na figura 9. Esta espécie é normalmente encontrada em bordas de mata e áreas abertas. Essas características condizem com a região onde foi encontrada. O macho desta espécie constrói ninhos de barro na margem dos corpos d’água (Maffei et al., 2011). O Banhado e a Mata Média (ambientes muito próximos entre si, ver figura 9) possuem poças de água, necessárias para esse tipo de ninho: a Mata Média é um ambiente com solo lodoso e com vegetação mais densa, tornando o ambiente mais escuro., enquanto que a região onde H. faber foi encontrada no banhado é formada por uma poça de água com barro na borda da mata. Devido a essa estrutura, consideramos a região em questão mais um microambiente propício para a manutenção das espécies de anfíbios.

A espécie Scinax argyreornatus (pererequinha-de-bromélia) foi encontrada nos ambientes de Banhado, Mata Avançada e Mata Média, ocorrendo próximo a poças temporárias e permanentes, além de ser comumente associada a bromélias (Pimenta e Carvalho-e-Silva, 2011), o substrato mais frequente para S. argyreornatus na Fazenda da Ressacada, destacando a importância da presença dessa planta para as espécies de anfíbios. Os três ambientes apresentam poças permanentes e temporárias e a Mata Avançada e Média apresentam abundância em bromélias, características essas que não são encontradas de forma combinada nos outros pontos amostrais.

Com base na IUCN não foi registrada nenhuma espécie ameaçada de extinção na Fazenda da Ressacada e Campus. Entretanto, ambientes como Banhado, Mata Média e Avançada formam uma região de interesse para conservação de anfíbios e incluem os microambientes ilustrados na figura 9. Essa região como um todo, além de compartilhar espécies com os outros pontos amostrais (Antrópico, Pasto, Silvicultura, Mata Inicial e Manguezal), apresentam espécies exclusivas (como Hypsiboas faber, Phyllomedusa distincta e Scinax argyreornatus), possuindo dessa forma uma maior riqueza de espécies. Essa região de interesse possui uma estrutura propícia para a manutenção de espécies de anfíbios, tais como umidade, corpos de água e bromélias. Dessa forma, recomenda-se a conservação destes ambientes para manutenção de espécies de anfíbios.

5.2      RÉPTEIS

5.2.1     INTRODUÇÃO

Os répteis possuem pele escamosa e espessa, ao contrário dos anfíbios. Além disso, possuem ovo amniótico, estando por isso no grupo dos Amniotas juntamente com aves e mamíferos. Todas essas adaptações fizeram dos répteis os pioneiros, entre os vertebrados, na colonização completa do ambiente terrestre (Loebmann et al, 2007).

Devido à grande diversidade morfológica e filogenética o grupo é registrado nos mais variados hábitats, ocupando os mais diversificados nichos (Nascimento et al, 2007), sendo animais aquáticos, arborícolas, criptozóicos e até fossoriais. Os répteis são tradicionalmente agrupados em quatro ordens Crocodylia (crocodilianos), Testudines (tartarugas), Squamata (cobras, lagartos e anfisbenídeos) e Rynchocephalia (tuataras) (Collins, 2011). A condição ectotérmica faz com que os répteis dependam de fontes externas de calor para a regulação da própria temperatura. Essa característica fisiológica faz com que sua distribuição geográfica fique restrita à áreas e épocas do ano quentes, enquanto que nas estações frias os mesmos apresentem sua atividade reduzida.

Atualmente existem 732 espécies de répteis descritas no Brasil (SBH, 2012), mas acredita-se que esse número seja subestimado. Embora o Brasil apresente uma grande diversidade de répteis, o grupo permanece excluído da maioria das estratégias de conservação (Bérnils et al., 2004). Os impactos sobre animais terrestres, como cobras e lagartos, são mais facilmente observados já que os mesmos são mais sensíveis à mudança do microclima (Rodrigues, 2005). Além disso, as serpentes são mortas de forma indiscriminada pelos seres humanos quando ocasionalmente encontradas, devido ao medo de acidente ofídico. Entretanto a maioria das espécies de serpentes da Mata Atlântica não apresenta peçonha.

Os répteis são de suma importância ecológica, por terem papel ecológico tanto como predadores quanto como presas para outros animais. E embora a matança indiscriminada dos répteis seja frequente, a principal ameaça é a destruição de habitat e redução de áreas de vegetação nativa (Marques et al, 2001).

5.2.2     METODOLOGIA

Para o estudo dos répteis foi elaborada a tabela 3 com a provável ocorrência de espécies deste grupo na região através de um levantamento bibliográfico dos répteis da ilha de Santa Catarina. Além disso, para a ocorrência comprovada de espécies de répteis, foi considerada uma pesquisa feita na Fazenda da Ressacada por alunos e professores do curso de Ciências Biológicas da UFSC no período de julho de 2011 a junho de 2012 (dados não publicados). Nesse estudo, foram amostrados 8 pontos: Antrópico (An), Banhado (Bn), Silvicultura (Si), Mata em estágio inicial de regeneração (Mi), Mata em estágio médio de regeneração (Mm), Mata em estágio avançado de regeneração (Ma), Manguezal (Mg) e Pasto (Pa) (figura 1). Esses pontos foram selecionados com base no estudo florístico feito na fazenda da Resascada (CCA, 2012 Caracterização da vegetação nativa da Fazenda Ressacada) e não com base na ocorrência de répteis.

5.2.3     RESULTADOS

Através de dados da Coleção Herpetológica da UFSC (CHUFSC) foi constatada a ocorrência de 36 espécies de répteis para a ilha de Santa Catarina. A pesquisa realizada entre os meses de julho de 2011 e junho de 2012 registrou 11 espécies de répteis na Fazenda da Ressacada e Campus. Duas delas foram identificadas apenas até nível de gênero: Amphisbaena sp. e Chironius sp. Em sua maioria, os répteis foram registrados por encontros ocasionais e apenas quatro espécies ocorreram em mais de um ambiente.

As espécies Chironius laevicollis, Bothrops jararacussu, Xenodon neuwiedii, Tropidodryas serra foram registradas nos bairros vizinhos Rio Tavares, Ribeirão da Ilha e Campeche (CHUFSC), possuindo assim uma alta probabilidade de ocorrência na Fazenda da Ressacada.

Tabela 3. Distribuição das espécies de répteis registradas entre os meses de julho de 2011 e junho de 2012 na Fazenda da Ressacada e Campus de Santa Catarina, Florianópolis, SC. Antrópico (An), Banhado (Bn), Silvicultura (Si), Mata Avançada (Ma), Manguezal (Mg), Mata Inicial (Mi), Mata Média (Mm), Pasto (Pa).

Figura 19. Curva do Coletor para amostragem de répteis.

Figura 20. Hemidactylus mabouia

Foto: Carolina Erbes

Figura 21. Trachemys scripta elegans

Foto: Marcelo Venturi

Figura 22. Mabuya dorsivitatta

Foto: Carolina Erbes

Figura 23. Chironius exoletus

Foto: Carolina Erbes

Figura 24. Bothropoides jararaca Juvenil

Foto: Marcelo Venturi

Figura 25. Sibynomorphus neuwiedi

Foto: Marcelo Venturi

Figura 26. Micrurus coralinus

Foto: Marcelo Venturi

Figura 27. Philodryas patagoniensis

Foto: Marcelo Venturi

5.2.4     DISCUSSÃO

Apesar da curva do coletor (figura 19) ter estabilizado, sabemos que os répteis são mais difíceis de serem visualizados. Portanto, com mais amostragens ainda é provável registros de espécies com nova ocorrência para a região.

Assim como para os anfíbios, as espécies de répteis se mostraram generalistas quanto ao uso do ambiente, também com maior número de ocorrências no ambiente Antrópico.

Foi considerado como ambiente Antrópico os locais onde já haviam algumas construções. Esse ambiente possuía uma certa variedade de estrutura, possuindo além de construções, pilhas de madeira e outros detritos, valas (algumas sempre alagadas, outras temporariamente), um lago artificial, plantações e além dessas um outro lago natural. Todas essas características compõem um ambiente que pode abrigar espécies fossoriais (como Micrurus corallinus – coral-verdadeira e Amphisbaena sp. – cobra-cega), terrícolas e arborícolas (como Bothrops jararaca – jararaca, Chironius exoletus – cobra-cipó e Sibynomorphus neuwiedi – cobra-dormideira). Além disso, a maioria dos registros de répteis foiocasional, através de trabalhadores da Fazenda da Ressacada que estavam constantemente na região antrópica. Esse fato também contribui para o maior número de espécies registradas no ponto Antrópico.

Hemidactylus mabouia (lagartixa-de-parede) é uma espécie com hábitos noturnos e comum em ambientes antrópicos (Rocha e Bergalo, 2011). Esta espécie é exótica, originária da África, que chegou nas Américas muito provavelmente durante a Colonização Européia (Rocha e Anjos, 2007). A espécie Trachemys scripta elegans (tigre-d’água), encontrada na Silvicultura, é nativa dos Estados Unidos. Por ser utilizada como animal de estimação, acabou sendo acidentalmente introduzida em ambientes naturais do Brasil e outros países ao redor do mundo (van Dijk et al., 2012). Amphisbaena sp. (cobra-cega), outra espécie encontrada no ambiente Antrópico, faz parte de um grupo de répteis squamata com modo de vida fossorial. Dessa forma, não podemos afirmar que não existam outras espécies de anfisbenídeos na Fazenda da Ressacada pela dificuldade que existe em encontrar esses animais subterrâneos. Tal dificuldade resulta no pouco conhecimento a cerca dos impactos da degradação ou perda de habitats de superfície (Rodrigues, 2005). A não identificação do espécime dificulta inferir sobre o seu status de conservação.

Mabuya dorsivittata (lagartixa) é uma espécie encontrada em campos abertos (Freitas e Silva, 2007), o que explica a sua ocorrência nos ambientes de Mata Inicial e Pasto. Os répteis precisam se expor ao sol para fazer a termorregulação, mas também precisam se proteger deste nos horários mais quentes do dia. Ambientes como o Pasto, Mata Inicial, Antrópico e Silvicultura fornecem a exposição ao sol por serem abertos, mas também os abrigos necessários através de seus arbustos, detritos e eucaliptos respectivamente. Por exemplo, Sibynomporphus neuwiedi (cobra-dormideira) foi registrada nos ambientes Antrópico e de Silvicultura e em todos os encontros estava abrigada sob folhiço ou tronco.

Philodryas patagoniensis (parelheira), espécie considerada pouco abundante pela literatura (Marques et al., 2001), foi registrada apenas no ambiente de Silvicultura. Esta espécie é encontrada comumente em áreas abertas (Hartmann e Marques, 2005), o que pode explicar a ocorrência da Philodryas patagoniensis na Silvicultura.

No Manguezal, ambiente amostrado apenas durante o dia devido à falta de segurança dos arredores, foi encontrada uma Liophis miliaris (cobra-d’água). Esta serpente pode ser tanto aquática quanto terrícola, mas normalmente é encontrada próximo de corpos d’água por se alimentar principalmente de anfíbios e peixes (Marques et al., 2001). Embora não tenha sido registrada em outros córregos e corpos d’água na Fazenda da Ressacada ressaltamos que ambientes como o Banhado apresentam condições propícias para a ocorrência desta espécie.

Os ambientes de Banhado, Mata Avançada e Mata Média possuíam uma maior complexidade ambiental. Micrurus corallinus (coral-verdadeira) foi a única espécie encontrada no banhado, porém pelo fato de se alimentar de outras serpentes, pode-se esperar que haja outras espécies de serpente neste ambiente. Chironius sp. (cobra-cipó), encontrado na Mata Avançada, era um juvenil que estava abrigado numa bromélia. É comum que juvenis de serpentes, principalmente das espécies arborícolas, utilizem bromélia. Essa planta ocorre com abundância nos ambientes Mata Avançada e Mata Média.

Com base nos critérios da IUCN, não foi registrada nenhuma espécie ameaçada de extinção na Fazenda da Ressacada e Campus. Entretanto, ambientes como Banhado, Mata Média e Avançada – que formam um contínuo no mapa – possuem uma maior complexidade estrutural (como troncos, galhos, serrapilheira alta) permitem a existência de microambientes e assim uma maior riqueza de espécies. Dessa forma, recomenda-se a conservação destes ambientes para manutenção de espécies de répteis e anfíbios.


6    AVES

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6.1      INTRODUÇÃO

Em Santa Catarina a Mata Atlântica ocupa cerca de um terço do estado e situa-se paralelamente ao oceano Atlântico (Rosário, 1996), abrangendo também a Ilha de Santa Catarina (Klein, 1978). Dentre os biomas brasileiros um dos que possui maior biodiversidade é a Mata Atântica (Lewinsohn & Prado, 2006), esta apresenta 682 espécies de aves, sendo aproximadamente 200 endêmicas (Stotz et al, 1996). Em Santa Catarina a avifauna associada a este tipo de vegetação corresponde a aproximadamente 55% das aves do estado (Rosário, 1996). Uma das explicações para esta elevada biodiversidade e endemismo é a presença de uma série de ecossistemas com peculiaridades dentro do bioma, o que permite que cada espécie possa explorar os diferentes ambientes de acordo com suas  adaptações e comportamentos (Rosário, 1996; Sick, 1997; Bencke et al., 2006).

No entanto devido à fragmentação, atualmente a Mata Atlântica é uma das formações vegetais mais ameaçadas do Brasil e do mundo, e sua avifauna vem sofrendo tanto ações indiretas como perda de habitat como perseguição pela beleza das aves ou de seus cantos ou mesmo para a caça (Bencke et al., 2006).

O grupo das aves está entre os táxons mais bem estudados do mundo, com aproximadamente 10.000 espécies (Sick, 1997), estando distribuído em praticamente todas as regiões do globo. O Brasil apresenta uma grande diversidade de aves, com 1801 espécies (CBRO, 2011), das quais aproximadamente 600 ocorrem no estado de Santa Catarina (Rosário, 1996) e 269 possuem registro para o município de Florianópolis (Naka et al, 2002). Todavia este número vem aumentando devido a novos estudos realizados na Ilha de Santa Catarina (Azevedo et al ,2003; Rosário, 2004; Amorim & Piacentini, 2006; Ghizoni Jr.& Azevedo, 2006; Piacentini et al, 2006; Efe et al, 2007; Piacentini et al, 2009.).

As espécies deste grupo são consideradas excelentes indicadores de qualidade ambiental, isto porque, além de serem facilmente estudadas e monitoradas, demonstram fidelidade a determinados ambientes e exibem uma grande variedade de respostas às diferentes mudanças ambientais, muitas vezes desaparecendo quando as condições lhes são insuportáveis (Argel-de-Oliveira, 1993).

A partir do que foi exposto, é importante realizar estudos sobre a avifauna da área correspondente a Fazenda Experimental da Ressacada e Campus, a fim de gerar subsídios para um melhor aproveitamento e gerenciamento dos recursos naturais nessa área.

6.2      METODOLOGIA

Para o estudo das aves foi elaborada uma lista de aves de provável ocorrência na região, através de um levantamento bibliográfico das aves da ilha de Santa Catarina (Rosário, 1996; Naka & Rodrigues, 2000; Azevedo et al 2003; Rosário 2004; Amorim & Piacentini 2006; Ghizoni-Jr.& Azevedo, 2006; Piacentini et al., 2006; Efe et al., 2007; Piacentini et al., 2009). Além disso, para a ocorrência comprovada de espécies foi considerado uma pesquisa feita na Fazenda da Ressacada por alunos e professores do curso de Ciências Biológicas da UFSC no período de Agosto de 2011 à Março de 2012 (dados não publicados). Nesse estudo, foram amostrados 7 pontos: Antrópico (An), Banhado (Bn), Silvicultura (Si), Mata em estágio inicial de regeneração (Mi), Mata em estágio médio de regeneração (Mm), Mata em estágio avançado de regeneração (Ma) e Pastagem (Pa) (figura 1). Esses pontos foram selecionados com base num levantamento da cobertura vegetal nativa realizado na Fazenda da Ressacada em 2010.

A nomenclatura cientifica e popular seguiu a lista de aves do Brasil, revisada e atualizada (CBRO, 2011).

6.3      RESULTADOS E DISCUSSÃO

Diversidade:

Para a região da Ilha de Santa Catarina foram consideradas 491 espécies de possível ocorrência, sendo que 289 tiveram registros bibliográficos confirmados para a Ilha de Santa Catarina. Durante o estudo na Fazenda da resacada foram registradas 133 espécies de aves, sendo que 126 foram registradas por visualização, 83 por audição ou gravação e uma espécie foi capturada acidentalmente em armadilha para pequenos mamíferos. O número de 133 espécies corresponde a 46,02% da avifauna esperada para Ilha de Santa Catarina.

A curva do coletor para a avifauna (figura 28) mostra que a amostragem pode ter sido suficiente, tendo em vista que a mesma quase estabilizou ao fim da terceira campanha de campo. No entanto a lista de aves pode sofrer novas adições em trabalhos futuros, tendo em vista que espécies raras, de difícil registro, e algumas migratórias podem não ter sido encontradas no referido estudo. Espécies comuns também podem não ter sido amostradas por simples ocasionalidade.

Na curva do coletor é possível observar um abrupto aumento no número de espécies em relação da primeira para a segunda campanha. Tal fato pode ser explicado pelo grande número de espécies migratórias registradas em novembro de 2011, espécies pertencentes principalmente às famílias Tyrannidae e Hirundinidae (Anexo 3).

Figura 28. Curva do coletor para a avifauna relativo ao estudo na Fazenda da Ressacada.

            Uso de Habitat:

Em relação aos ambientes, aquele que apresentou a maior riqueza de espécies foi ambiente Antrópico (An), com 65 espécies registradas, das quais grande parte também foi registrada no ambiente de Pastagem (P) e Mata em estágio inicial de regeneração (I). No ambiente antrópico as famílias mais numerosas foram, Tyrannidae (9), Thraupidae (5), Trochilidae, Ardeidae, Columbidae e Emberizidae (4). A maioria das espécies registradas pode ser considerada comum e/ou generalista, como exemplo: Zonotrichia capensis (tico-tico), Pitangus sulphuratus (bem-te-vi), Columbina talpacoti (rolinha-roxa) entre outros. Merecem destaque as espécies: Amazilia versicolor (beija-flor-de-banda-branca), Certhiaxis cinnamomeus (curutié), Megarynchus pitangua (neinei), Tangara preciosa (saira-preciosa), Pipraeidea melanonota (saira-viuva), Tangara cyanoptera (sanhaçu-de-encontro-azul), Agelaioides badius (asa-de-telha), Amadonastur lacernulatus (gavião-pombo-pequeno) e Sporophila caerulescens (coleirinho). A última espécie, típica de ambientes abertos e com gramíneas (Sick, 1997), é considerada pouco comum na Ilha de Santa Catarina, além de sofrer grande pressão por conta da captura ilegal (Naka et al, 2002). A. lacernulatus é considerada vulnerável na lista brasileira e estadual da fauna ameaçada de extinção (MMA, 2008; IGNIS 2010).

Em áreas de Pastagem (P) foram registradas 55 espécies, e as famílias mais numerosas foram Tyrannidae e Emberizidae, com sete e seis espécies, respectivamente, seguidas de Hirundinidae com cinco espécies. A grande maioria das espécies, assim como no ambiente antrópico, pode ser considerada comum e típica de ambientes abertos, como é o exemplo de Volatinia jacarina (tiziu), Molothrus bonariensis (vira-bosta), Anthus lutescens (caminheiro-zumbidor), Progne chalybea (andorinha-doméstica-grande), Pygochelidon cyanoleuca (andorinha-pequena-de-casa) e Myiophobus fasciatus (filipe). Todavia, algumas espécies que foram registradas merecem destaque, como: Tapera naevia (saci), Ammodramus humeralis (tico-tico-do-campo), Xolmis irupero (noivinha), Sporophila caerulescens (coleirinho), Sicalis luteola (tipio), Asio clamator (coruja-orelhuda), Falco peregrinus (falcão-peregrino), Urubitinga urubitinga (gavião-preto) e Spizaetus tyrannus (gavião-pega-macaco). S. tyrannus possui o status vulnerável no estado de Santa Catarina (IGNIS, 2010).

As áreas de Eucalipto (E) apresentaram a menor riqueza de espécies, com seis espécies registradas. São elas: Rupornis magnirostris (gavião-carijó), Milvago chimango (chimango), Pitangus sulphuratus (bem-te-vi), Troglodytes musculus (corruíra), Cyanocorax caerulescens (gralha-azul) e Asio clamator (coruja-orelhuda). Todas as espécies são comuns e não constam nas listas de espécies ameaçadas do Brasil e de Santa Catarina (MMA, 2008; IGNIS 2010).

Nas áreas em estágio inicial de regeneração (I) foram registradas 47 espécies, sendo Tyrannidae, Cuculidae, Thraupidae e Columbidae as famílias mais representativas, com nove, quatro, quatro e três espécies respectivamente. As espécies são comuns e típicas de áreas abertas, sendo que nenhuma consta nas listas de espécies ameaçadas de extinção (MMA, 2008; IGNIS 2010). As espécies mais relevantes deste ambiente foram: Hydropsalis torquata (bacurau-tesoura); Tapera naevia (saci); Manacus manacus (rendeira); Pipraeidea melanonota (saíra-viúva) e Amazona aestiva (papagaio-verdadeiro). Esta última provavelmente introduzida na Ilha de Santa Catarina a partir de soltura de animais em cativeiro (Naka & Rodrigues, 2000).  Apesar de comum para o estado, a espécie P. melanonota é considerada rara para a Ilha de Santa Catarina (Naka & Rodrigues, 2000).

Em áreas de estágio médio de regeneração (Me) foram registradas 44 espécies, das quais a grande maioria podem ser consideradas comuns e nenhuma consta nas listas de espécies ameaçadas (MMA, 2008; IGNIS 2010). Grande parte das espécies encontradas nestas áreas é semelhante às espécies encontradas nas áreas de estágio inicial. Todavia, alguns elementos florestais podem ser encontrados, como é o caso de Myrmeciza squamosa (papa-formiga-da-grota), Leptopogon amaurocephalus (cabeçudo), Turdus albicollis (sabiá -coleira) e Manacus manacus (rendeira). Vale destacar, ainda, a presença de Urubitinga urubitinga (gavião-preto), Eupetomena macroura (beija-flor-tesoura). As famílias que apresentaram maior riqueza de espécies neste ambiente foram: Tyrannidae (6) e Accipitridae (4).

Nas áreas cujo estado da vegetação encontra-se em estágio avançado de regeneração (Ma) foram encontradas 35 espécies, e as famílias mais numerosas foram: Tyrannidae (6), Thraupidae (3) Accipitridae (3) e Parulidae (3). Dentre as espécies cabe destacar Spizaetus tyrannus (gavião-pega-macaco), ameaçada no estado, Herpetotheres cachinanns (acauã), Nyctibius griseus (mãe-da-lua), Asio clamator (coruja-orelhuda) e Pipraeidae melanonota (Saíra-viúva). H. cachinanns corresponde a um novo registro para a avifauna da Ilha de Santa Catarina. O restante das espécies é comum e abundante em outras matas da Ilha de Santa Catarina, podemos citar Habia rubica (tié-do-mato-grosso), Celeus flavescens (pica-pau-de-cabeça-amarela) e Myrmeciza squamosa (papa-formiga-da-grota) que são quase que exclusivamente florestais.

Foram registradas 45 espécies nas áreas de Banhado (B). Além das comuns e esperadas como, por exemplo, Aramides cajanea (saracura-três-potes), Myiophobus fasciatus (filipe), Geothlypis aequinoctialis (pia-cobra) e Amazonetta brasiliensis (pé-vermelho), foram encontradas espécies relevantes, são elas: Pardirallus sanguinolentus (saracura-do-banhado); Emberizoides ypiranganus (canário-do-brejo) e Rostrhamus sociabilis (gavião-caramujeiro), Botaurus pinnatus (socó-boi-baio), Laterallus leucopyrrhus (sanã-vermelha) e Circus buffoni (gavião-do-banhado). A primeira é considerada rara para a Ilha de Santa Catarina (Naka & Rodrigues, 2000) e as três últimas correspondem a novos registros para a Ilha. Podemos destacar neste ambiente a presença das famílias Rallidae e Ardeidae que apresentaram seis espécies, e Tyrannidae com sete espécies.

 

Analisando o estudo realizado foram listadas 11 espécies de relevantes para a avifauna da ilha de Santa Catarina são elas:

Spizaetus tyrannus (Gavião-pega-macaco)

S. tyrannus possui o status vulnerável no estado de Santa Catarina, trata-se de uma espécie de gavião florestal (Naka & Rodrigues, 2000) e segundo estudo realizado foi observado sobrevoando as áreas de mata em estágio avançado e pastagem . Possivelmente a espécie provém de áreas florestais próximas como a Lagoa do Peri, onde foi registrada por outros pesquisadores (Azevedo et al, 2003), e eventualmente amplia sua área de forrageio para as baixadas próximas ao aeroporto.

Amadonastur lacernulatus (Gavião-pombo-pequeno)

A espécie é endêmica da Mata Atlântica e do Brasil, ocorrendo de Alagoas até Santa Catarina, é considerada ameaçada de extinção com o status vulnerável para as listas vermelhas nacional e estadual (MMA, 2008; IGNIS 2010). Na Ilha de Santa Catarina a espécie possui dois registros documentados nos anos de 1993 e 1999 (Naka & Rodrigues, 2000; Azevedo et al, 2003), e no estado os registros estão concentrados na porção litorânea (Rosário, 1996). Segundo o estudo o registro da espécie na fazenda da ressacada foi pontual, e suspeita-se que, assim como S. tyrannus, a espécie provém de áreas florestais próximas como a Lagoa do Peri, uma vez que a espécie possui hábitos florestais (Sick, 1997) e são conhecidos registros não documentados da espécie na área do Parque Municipal da Lagoa do Peri.

Urubitinga urubitinga (Gavião-preto)

O Gavião-preto possui poucos registros para o estado e a grande maioria está concentrada na região do planalto catarinense, onde pode habitar campos naturais, áreas agrícolas e pastagens (Rosário, 1996). A espécie foi registrada pela primeira vez na Ilha de Santa Catarina recentemente, na Estação Ecológica de Carijós no ano de 2003 (Efe et al, 2007). Segundo o estudo indivíduos  foram registrados na área de pastagem, na área de silvicultura, e em áreas de mata em estágio intermediário de regeneração. A espécie foi observada utilizando também áreas do Aeroporto Hercílio Luz. Este corresponde ao segundo registro da espécie para a Ilha de Santa Catarina.

Sporophila caerulescens (Coleirinho)

Durante o estudo realizado a espécie foi registrada próximo às áreas antropizadas. Apesar de comum para o restante do estado (Rosário, 1996) a espécie se mostra rara na ilha de Santa Catarina (Naka & Rodrigues, 2000), e a pressão de caça sobre a espécie pode levar ao desaparecimento da mesma na Ilha (Naka et al, 2002).

Circus buffoni (gavião-do-banhado)

Dois registros foram realizados em área de banhado da Fazenda Experimental. Esta espécie também não possuía registros bibliográficos para a Ilha de Santa Catarina.

Pardirallus sanguinolentus (Saracura-do-banhado)

É uma espécie com registros escassos na Ilha, possui um registro para a Lagoa Pequena em 1998 (Naka & Rodrigues, 2000) e é citada para o norte da Ilha por Rosário (1996). Registros foram realizados na área de banhado durante todo o período do estudo.

Botaurus pinnatus (Socó-boi-baio)

Até a realização do estudo a espécie não possuía registro na Ilha de Santa Catarina. A espécie é considerada rara para o estado e apresenta registros históricos para os municípios de São José, Camboriú e Itapema (Rosário, 1996) e recentemente nos municípios de Laguna e Governador Celso Ramos (Ghizoni-Jr & Azevedo, 2010). A espécie foi registrada em área de banhado.

Laterallus leucopyrrhus (Sanã-vermelha)

A ocorrência da espécie na área de estudo representa o primeiro registro da espécie para Ilha de Santa Catarina. L. leucopyrrhus é típica de ambientes alagados e com vegetação densa, sendo de difícil visualização. A espécie possui registros para os municípios de Lagoa do Sombrio (1992), Araquari (1994) e Água Doce (2003), (Rosário, 1996; Ghizoni-Jr & Graipel, 2003), sendo incomum no estado. A espécie foi registrada através de captura acidental em armadilha para pequenos mamíferos e por meio de vocalização.

Rosthramus sociabilis (gavião-caramujeiro)

Poucos são os registros da espécie na Ilha, sendo esta considerada rara por Naka e Rodrigues (2000). O registro da espécie foi realizado em área de banhado na mesma área de  em que foram registrados C. buffoni e L. leucopyrrhus. A espécie utiliza preferencialmente áreas de banhado devido a sua alimentação especializada, caramujos do gênero Pomacea, que também foram encontrados no local.

Herpetotheres cachinnans (acauã)

Durante o estudo um individuo foi observado sobre um fragmento de mata em estágio avançado de regeneração localizado junto ao aeroporto internacional Hercílio Luz. Este corresponde ao primeiro registro da espécie na Ilha de Santa Catarina. A espécie possui poucos registros no estado, sendo o mais próximo no município de Palhoça (Rosário, 1996).

Sicalis luteola (tipio)

O registro de tipio no sul da ilha corresponde a segunda observação da espécie na Ilha de Santa Catarina, sendo o último registro em 1985 (Naka e Rodrigues, 2000). Segundo o estudo vários indivíduos foram observados nas áreas de pastagem.

 

6.4       Conclusão:

Ao término do estudo ficou evidente que a avifauna da Fazenda Experimental da Ressacada e Campus é caracterizada principalmente por espécies típicas de áreas abertas (campos e pastagens) e áreas antropizadas. Tal fato pode ser observado na lista de espécies apresentada no anexo 3. O número de 133 espécies pode ser considerado satisfatório em função da qualidade ambiental, uma vez que grande parte da área é composta por ambientes muito impactados (pastagens, plantios, silvicultura, etc.). Além disso, a curva do coletor demonstra que o número de espécies não deve sofrer grandes alterações.

As áreas de mata remanescentes mostraram-se bastante descaracterizadas quanto à avifauna, apresentando poucos elementos florestais. No entanto a presença de dois gaviões ameaçados (S. tyrannus e A. lacernulatus) pode indicar uma possível área de utilização por estas espécies. Estas áreas podem ser importantes para estes rapinantes principalmente durante o período de inverno, uma vez que tendem a ampliar sua área de forrageio nos períodos de maior escassez. Além disso, nestas áreas ainda foi registrada uma nova espécie para a Ilha de Santa Catarina, H. cachinanns.

As áreas de pastagem apresentaram algumas espécies pouco comuns como, A. humeralis, U. urubitinga, S. luteola, X. irupeo, e  S. caerulescens, demonstrando que este ambiente, mesmo que já tenha sofrido impactos abriga algumas espécies raras para a Ilha.

Dentre os ambientes é importante salientar as áreas de Banhado (B) que apresentaram espécies endêmicas de áreas alagadas, principalmente da família Rallidae como, L. melanophaius, P. sanguinolentus, P. nigricans, e L. leucopyrrhus. Além disso, três novas espécies para a Ilha de Santa Catarina foram registradas neste ambiente (B. pinnatus, C. buffoni e L. leucopyrrhus). Tais fatos demonstram a importância da preservação deste ambiente.

Estudos como este evidenciam que muito ainda pode ser descoberto quanto a avifauna da Ilha de Santa Catarina, uma vez que em um curto período de tempo foram registradas quatro novas espécies para a Ilha em ambientes pouco estudados como os banhados.

6.5      REGISTROS FOTOGRÁFICOS OBTIDOS NA FAZENDA EXPERIMENTAL DA RESSACADA E CAMPUS.

Figura 29. Spizaetus tyrannus (Gavião-pega-macaco)

Foto: Guilherme Willrich

Figura 30. Amadonastur lacernulatus  (Gavião-pombo-pequeno)

Foto: Fernando B. de Farias

Figura 31. Urubitinga urubitinga (Gavião-preto)

Foto: Guilherme Willrich

Figura 32. Urubitinga urubitinga (Gavião-preto)

Foto: Fernando B. de Farias

Figura 33. Laterallus leucopyrrhus (Sanã-vermelha)

Foto: Felipe Moreli Fantacini

Figura 34. Laterallus leucopyrrhus (Sanã-vermelha)

Foto: Felipe Moreli Fantacini

Figura 35. Phimosus infuscatus (tapicuru-de-cara-pelada)

Foto: Guilherme Willrich

Figura 36. Ammodramus humeralis  (Tico-tico-do-campo)

Foto: Guilherme Willrich

Figura 37. Sporophila caerulescens (Coleirinho)

Foto: Guilherme Willrich

Figura 38. Aramus guarauna (Carão)

Foto: Guilherme Willrich

Figura 39. Hydropsalis torquata (Bacurau-tesoura)

Foto: Guilherme Willrich

Figura 40. Elaenia obscura (Tucão)

Foto: Fernando Bittencourt de Farias

Figura 41. Hydropsalis albicollis (Bacurau)

Foto.Fernando B. de Farias

Figura 42. Leucochloris albicollis (Beija-flor-de-papo-branco)

Foto: Fernando B. de Farias

Figura 43. Tangara preciosa (Saira-preciosa)

Foto: Fernando B. de Farias

Figura 44. Asio clamator (Coruja-orelhuda)

Foto: Fernando B. de Farias.

Figura 45. Circus buffoni (Gavião-do-banhado)

Foto: Guilherme Willrich

Figura 46. Rostrhamus sociabilis (Gavião-caramujeiro)

Foto: Guilherme Willrich.

Figura 47. Herpetotheres cachinanns (Acauã)

Foto: Guilherme Willrich

7    AVALIAÇÃO DOS POSSÍVEIS IMPACTOS AMBIENTAIS E DEFINIÇÃO DE MEDIDAS MITIGATÓRIAS, COMPENSATÓRIAS E DE CONTROLE AMBIENTAL

Tendo como referência o inventário faunístico realizado entre Julho de 2011 e Junho de 2012, a caracterização da cobertura vegetal, o uso atual do ambiente e as obras previstas para a Fazenda da Ressacada os seguintes impactos foram identificados como prejudiciais às populações de vertebrados alvo desse estudo:

1       Aterro de área de várzea pode interferir na dinâmica hídrica da região, afetando diretamente a fauna associada e principalmente o ambiente de Banhado, que é dependente desta dinâmica. Esta é considerada uma das principais ameaças a conservação de uma das espécies de marsupiais registradas para o local, Lutreolina crassicaudata, e considerada ameaçada de extinção no estado de Santa Catarina (Resolução CONSEMA n° 002, de 06 de Dezembro de 2011).

2       Alteração no conforto acústico devido às obras e posteriormente ao transito de pessoas, veículos e galpões de máquinas pode prejudicar a fauna da região.

3       A presença excessiva de cães, que abatem animais silvestres de diversos tamanhos com relativa frequência, incluindo Lutreolina crassicaudata (Graipel et al., 2006; M.E. Graipel, dados não publicados), ameaçada de extinção no estado de Santa Catarina.

4       A possibilidade de acúmulo de roedores nos silos e outras áreas de armazenamento de grãos, pode ocasionar acúmulo de fezes e urina que entrando em suspensão e contendo o vírus da hantavirose pode provocar a contaminação de humanos.

5       A supressão da vegetação, a mudança na qualidade da água e a destinação incorreta de resíduos (provenientes de alojamentos, salas de aula, banheiros, restaurante universitário, produção animal e vegetal) pode contribuir para a proliferação e dispersão de vetores e doenças.

6       Redução parcial da cobertura vegetal reduzirá os habitas disponíveis, alterando a composição da fauna da região e consequentemente as interações existentes entre os organismos. Isso resultará num desequilíbrio ecológico, isolamento de fragmentos e perda de diversidade.

7       Afugentamento, disperação e aumento da mortalidade por atropelamento das espécies devido a construção de estradas e estruturas (salas de aula, galpões, laboratórios, etc.) bem como o intenso fluxo de pedestres e automóveis.

8       Redução da diversidade pela presença e dispersão de espécies exóticas invasoras.

9       Produção de resíduos provindos das estruturas como alojamentos, compostagem, laboratórios, galpões, salas de aula, produção animal e vegetal que podem contaminar o solo e corpos d’água.

10   Contaminação de corpos d’água em função do uso de agrotóxicos em cultivos através da drenagem de água das chuvas.

7.1      MEDIDAS MITIGATÓRIAS:

 

De acordo com a Resolução do Conama n° 417, de 23 de Novembro de 2009, se trata de ambiente de vegetação de restinga “o conjunto de comunidades vegetais, distribuídas em mosaico, associado aos depósitos arenosos costeiros quaternários e aos ambientes rochosos litorâneos, encontradas nos ambientes de praias, cordões anerosos, dunas, depressões e transições para ambientes adjacentes, podendo apresentar, de acordo com a fitofisionomia predominante, estrato herbáceo, arbustivo e arbóreo, este último mais interiorizado”.

A presença de solo arenoso na Mata Avançada e Média da Fazenda da Ressacada, bem como as espécies vegetais (CCA, 2012. Caracterização da vegetação nativa da Fazenda Ressacada; Resolução Conama n° 261 de 30 de Junho de 1999), caracterizam este ambiente como sendo Restinga Arbórea. Com base nessa consideração recomenda-se:

  • A manutenção dos ambientes de Banhado, Mata Média e Avançada bem como a conexão através da recuperação das matas iniciais presentes entre esses três ambientes (figura 48).

Esses ambientes apresentam solos arenosos e espécies vegetais típicas (CCA, 2012 Caracterização da vegetação nativa da Fazenda Ressacada; Resolução do CONAMA n° 417), o que os caracterizam como restinga, sendo consideradas Áreas de Proteção Permamente pelo artigo 6° do Novo Código Florestal. A Ação Civil Pública n° 023.12.021898-7, concedida pelo Juízo da 3ª Vara da Fazenda Pública da Comarca da Capital do Ministério Público de Santa Catarina determina que “a FATMA passe a considerar como área de preservação permamente qualquer local onde se apresente a vegetação de restinga, independente da existência ou não do acidente geográfio ‘restinga’. Assim, fica proibida a concessão de licença ambiental para qualquer corte e/ou supressão de vegetação desse tipo“.

Além disso, para todos os grupos estudados, esses ambientes demonstraram portar mais riqueza de espécies, possuindo complexidade estrutural necessária à manutenção de espécies de anfíbios e répteis (bromélias, corpos d’agua, serrapilheira alta, detritos no chão). Para as aves, destaca-se as presença das espécies: Circus buffoni (gavião-do-banhado), Laterallus leucopyrrhus (sanã-vermelha), Botaurus pinnatus (socó-boi-baio) e Herpetotheres cachinnas (acauã) nos ambientes de Banhado e Mata Avançada, além das espécies Amadonastur lacernulatus (gavião-pombo-pequeno) (considerada vulnerável no Brasil e em Santa Catarina) e Spizaetus tyrannus (gavião-pega-macaco) (considerada vulnerável em Santa Catarina). Para os mamíferos, destaca-se a presença da espécie Lutreolina crassicaudata (cuíca-da-cauda-grossa) nos ambientes de Mata Média e Avançada, além de áreas herbáceo arbustivas junto a banhados.

  • A recuperação da mata ciliar dos córregos e do banhado, conforme a figura 48.
  • A manutenção da umidade natural do Banhado não realizando nenhuma atividade que possa causar a drenagem desse ambiente ou dos córregos na região que mantém essa umidade.
  • O desenvolvimento de projetos para formas alternativas de captação de água para que não ocorra a drenagem do banhado e dos córregos e para que se evite a construção de barragens. A variação sazonal dos rios determina a dinâmica de populações dependentes de ambientes aquáticos. A manutenção do nível da água altera as condições naturais e afeta a dispersão dos indivíduos.
  • Que todas as construções previstas ocorram nas áreas já antropizadas e sem vegetação nativa presentes na Fazenda da Ressacada e Campus, conforme recomenda o artigo 12 da Lei 11.428 de 22 de Dezembro de 2006 (Lei da Mata Atlântica). Matas em estágio inicial de regeneração devem ser recuperadas a fim de fazer conectividade com os outros fragmentos florestais ou mesmo junto a corpos d’água.
  • Que na construção de estruturas que prevêem ruídos (como galpões de máquinas e laboratório de pesquisa de máquinas e motores) ocorram próximas ao aeroporto ou à rodovias que já são fontes de ruídos presentes na região, desde que construídas em ambientes antropizados e sem vegetação nativa.
  • Na construção de depósitos como silos prever estruturas que inibam a entrada de roedores e o acúmulo de fezes e urina, como forma de evitar a transmição de hantaviroze.
  • A construção de estruturas que gerem resíduos tóxicos ao meio ambiente (como composteira e depósitos de agrotóxicos) longe de mananciais de água, para minimizar o impacto de possíveis extravasamentos.
  • O desenvolvimento da gestão dos resíduos sólidos e o tratamento dos efluentes, considerando diferentes tipos de tratamentos para diferentes tipos de resíduos.
  • Incentivo a pesquisa e dissiminação de formas alternativas de produção com menor uso de agrotóxicos, a exemplo de orgânicos, entre outros.

Figura 48. Mapa da Fazenda Experimental da Ressacada e Campus. Em azul os córregos prioritários à recuperação de mata ciliar. Em amarelo, a área prioritária para conservação, formada pelos ambientes de Banhado, Mata Inicial, Mata Média e Mata Avançada.

7.2      MEDIDAS DE CONTROLE:

 

Recomenda-se:

1       A fiscalização das áreas naturais remanescentes contra a extração de recursos vegetais e caça, bem como contra o desmatamento ilegal, supressão da vegetação e drenagem do banhado.

2       O controle de espécies exóticas, invasoras (conforme a Resolução CONSEMA n° 11, de 17 de dezembro de 2010) e domésticas como os cães presentes na região e as espécies de Pinus sp. encontradas em abundância próximo ao manguezal.

3       Dimensionamento preciso das quantidades de agrotóxicos necessários para as respectivas culturas, sem excedentes.

4       Uso de agrotóxicos com vida útil e permanência no ambiente menor.

5       Uso de culturas mais resistentes e adaptadas à realidade local que necessitem menor aplicação de agrotóxicos.

6       Monitoramento de espécies bioindicadoras como Lutreolina crassicaudata (cuíca-da-cauda-grossa), para avaliar impactos provocados por alterações ambientais, principalmente associadas a dinâmica de águas e  com avaliações periódicas dos efeitos dos agrotóxicos sobre indivíduos da população. Além das espécies de aves consideradas como registros relevantes: Circus buffoni (gavião-do-banhado), Laterallus leucopyrrhus (sanã-vermelha), Botaurus pinnatus (socó-boi-baio) e Herpetotheres cachinnas (acauã) nos ambientes de Banhado e Mata Avançada, além das espécies Amadonastur lacernulatus (gavião-pombo-pequeno) e Spizaetus tyrannus (gavião-pega-macaco).

Tabela 4. Lista dos impactos previstos e suas respectivas medidas.

Item

Fase

Impactos

Medidas

Implantação

Operação

1

X

 

Alteração da morfologia do relevo na área de ocupação

Programa de Gestão Ambiental e Supervisão durante as Obras

2

X

X

Aterro de área de várzea

Programa de Manutenção dos Córregos e Matas Ciliares

Projeto para a captação correta de água

• Educação Ambiental para o melhor uso da água

• Para as obras com manejo de água, tanques de criação de psicultura, hidroponia e irrigação na produção vegetal recomenda-se o estudo de formas alternativas para captação e armazenamento de água para evitar o estabelecimento de barragens e drenagem de córregos.

• Manutenção e recuperação da mata ciliar de todos os córregos da Fazenda da Ressacada para que assim se mantenha a umidade do banhado, ponto considerado mais importante para a fauna.

3

X

X

Risco de alteração no conforto acústico

Programa de Gestão Ambiental e Supervisão durante as Obras

• Estruturas que preveem ruídos (como galpões de máquinas e laboratório de pesquisas de motores e máquina) devem ser consruídas próximo ao aeroporto ou à rodovias que constituem fontes de ruído já presentes na Fazenda da Ressacada. Entretanto se deve priorizar áreas antropizadas sem vegetação nativa.

4

X

X

Proliferação, dispersão de vetores e prejuízo à saúde

Programa de Gestão de Resíduos Sólidos

• Projeto de Educação Ambiental

• Programa de Manutenção, Controle e Fiscalização das Áreas Remanescentes

• Silos e outros depósitos podem atraír roedores gerando problemas com rantavirose. Na construção desses depósitos, pensar em uma estrutura que minimize a entrada desses animais.

Programa de Manejo e Controle de Cães

5

X

 

Redução parcial da cobertura vegetal

• Manutenção e Recuperação de Áreas Remanescentes conforme a figura 48

• Manutenção e Recuperação de Fragmentos Florestais atraves da regeneração de matas em estágio inicial e das matas ciliares dos corpos d’agua presentes.

• Para a construção da Rede Elétrica Trifásica recomenda-se que as torres sejam mais altas que a vegetação local, evitando assim a supressão.

6

X

 

Redução e fragmentação de habitats

Programa de Gestão Ambiental e Supervisão durante as Obras

• Incentivo à Pesquisa na área e Monioramento de Fauna

Projeto de Conectividade Ecológica

• Recomenda-se que as construções previstas (tais como alojamentos, composterias, laboratórios, galpões, produção animal e vegetal) sejam feitas em áreas já antrópizadas e sem vegetação nativa. Ainda, ressalta-se que novas construções, bem como ampliação das instalações já existentes, estarão sujeitas a novas análises.

• Recomenda-se a recuperação da área em estágio inicial de regeneração.

7

X

X

Afugentamento e perturbação da fauna terrestre e aquática

• Programa de Gestão Ambiental e Supervisão durante as Obras

• Projeto de Educação Ambiental

• Programa de Manutenção, Controle e Fiscalização das Áreas Remanescentes

8

X

Presença de Espécies Exóticas Invasoras (Pinus no Manguezal e Silvicultura)

Programa de Controle de Espécies Exóticas e Invasoras

• Incentivo à Pesquisa na área e Monioramento de Fauna

9

X

X

Produção de Resíduos

• Construções como Alojamentos, Compostagem, Laboratórios, Galpões, Salas de Aula, Estruturas para Produção Animal e Vegetal preveem a produção de resíduos. É necessário um Programa de Tratamento de Efluentes que se adeque os diferentes tipos de resíduos produzidos por essas estruturas.

• Estruturas como Alojamentos, Compostagem, Laboratórios, Produção Animal e Vegetal prevêem a geração de resíduos prejudiciais ao meio ambiente. Recomenda a aplicação de um Programa de Gestão de Resíduos Sólidos.

• Recomenda-se que estruturas que gerem resíduos tóxicos ao meio ambiente (como composteira e depósitos de agrotóxicos) sejam construídas longe de mananciais de água, para minimizar o impacto de possíveis extravasamentos.

Tabela 5. Lista dos programas propostos e suas respectivas descrições:

PROGRAMA

DESCRIÇÃO

Incentivo à Pesquisa na área e Monitoramento de Fauna Possibilitar que alunos de graduação e pós-graduação possam desenvolver pesquisas na Fazenda da Ressacada e Campus a fim de levantar mais informações sobre a conservação local e monitorar os impactos resultantes das obras sobre a fauna.
Programa de Controle de Espécies Exóticas e Invasoras Desenvolver projeto de pesquisa para manejo e controle de espécies exóticas e invasoras como Pinus (encontrado de maneira descontrolada próximo ao manguezal).
Programa de Gestão Ambiental e Supervisão durante as Obras Acompanhamento e supervisão das obras durante sua execução a fim de garantir que as medidas aqui apresentadas se coloquem em prática
Programa de Gestão de Resíduos Sólidos Desenvolver projeto para a gestão dos resíduos sólidos e reciclagem de lixo gerados pelos diferentes usos da área (Salas de Aula, Restaurante Universitário, Produção Animal e Vegetal, etc.).
Programa de Manejo e Controle de Cães Desenvolvimento de um projeto para o controle de cães encontrados na área através de castração dos animais e conscientização com a comunidade para que essa não abandone esses animais na Fazenda da Ressacada.
Programa de Manutenção dos Córregos e Matas Ciliares Manuteção dos córregos já existentes como “Córregos Universitários” para a manutenção da úmidade das áreas Remanescentes e também para a conectividade entre fragmentos.
Programa de Manutenção, Controle e Fiscalização das Áreas Remanescentes Estabelecimento de estratégias para a proteção das áreas remanescentes: delimitação da área, controle de suas fronteiras e fiscalização periódica.
Programa de Tratamento de Efluentes Desenvolver projeto para tratamento dos efluentes considerando que, para diferentes fontes de poluição deverão haver diferentes tipos de tratamento.
Projeto de Conectividade Ecológica Recuperação das matas em estágio inicial que fazem a conexão dos ambientes de Banhado, Mata Média e Mata Avançada. Além disso, recuperar as matas ciliares de todos os córregos presentes na Fazenda da Ressacada como forma de garantir a não drenagem do banhado. Para as estradas construidas próximo à remanescentes florestais, instalar passadores de fauna para minimizar o impacto da fragmentação.
Projeto de Educação Ambiental Desenvolver projeto de Educação Ambiental com os trabalhadores, alunos e comunidade da região.
Projeto para a captação correta de água Desenvolver projeto para alternativas de captação de água que não incluam a drenagem de córregos e banhados nem a construção de barragens.


8      BIBLIOGRAFIA

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9    ANEXOS

Anexo 1. Lista de espécies de anfíbios com provável ocorrência em Florianópolis, baseados em registros prévios na Coleção Herpetológica da UFSC (CHUFSC), baseado no trabalho de Elaine Lucas em 2008 (EL), registros confirmados para a Fazenda da Ressacada e Campus através  através das amostragens em campo durante uma pesquisa realizada por alunos e professores da UFSC entre os períodos de Julho de 2011 à Junho de 2012

Status de onservação das espécies: LC = lest concern (preocupação menor), NT = near threatened (quase ameaçado), VU = vulnerable (vunerável) nc = não consta

Ambientes: Silvicultura (Si); Banhado (Bn); Pastagem (Pa); Ambiente Antrópico (An); Mata em estágio inicial de regeneração (Mi); Mata em médio de regeneração (Mm); Mata em estágio avançado de regeneração (Ma) e Manguezal (Mg).

Tipo de Registro: A = Auditivo; Ca = captura e soltura ; Vi = Visual; F = Fotográfico, Co = Coleta, Gr = gravação

Status de Conservação com base na IUCN: http://www.iucnredlist.org/

Metodologia (MET): PA = procura ativa; EO (Encontro Ocasional)

Período de Atividade (PER): N = noturno; D = diurno

STATUS

TÁXON

REGISTRO

MET

PER

Bibliografia

Campanha

AMBIENTE

An Bn Si Ma Mg Mi Mm Pa
Amphignathodontidae
LC Flectonotus aff. fissilis EL
Brachycephalidae
LC Ischnocnema guentheri Co / EL
LC Ischnocnema henselii Co / EL
NT Ischnocnema manezinho EL
Bufonidae
LC Rhinella abei Co / EL  
LC Rhinella icterica Co  
Centrolenidae  
nc Hyalinobatrachium” uranoscopum EL  
Craugastoridae
LC Haddadus binotatus Co / EL  
Cycloramphidae
LC Limnomedusa macroglossa Co  
LC Odontophrynus americanus Co / EL  
LC Proceratophrys boiei Co / EL  
Hylidae
LC Bokermannohyla hylax Co / EL
LC Dendropsophus microps Au; Co PA; EO N Co / EL 1, 2,4 X X X X
LC Dendropsophus minutus Co PA, EO N Co / EL 1, 2 X
LC Dendropsophus werneri Co
LC Hypsiboas faber Co EO N Co / EL 3 X
LC Hypsiboas pulchellus EL
nc Scinax aff. “rubra” Co
LC Scinax aff. alter Co / EL
nc Scinax aff. x-signata Co
LC Scinax argyreornatus Co; Vi PA D; N Co / EL 1, 2, 3 X X X
LC Scinax catharinae Co / EL
LC Scinax cf. alter Au; Cap; Co; Vi PA, EO D; N Co / EL 1, 2, 3, 4 X X X X X X X X
LC Scinax cf. hayii Co
LC Scinax cf. X-signata Co
LC Scinax fuscovarius EL
LC Scinax gr. granulatus Co / EL
LC Scinax gr. perpusillus Co / EL
LC Scinax nasicus Co
LC Scinax perereca Au; Co PA, EO N Co / EL 1 X X X
LC Scinax rizibilis Co / EL
LC Phyllomedusa distincta Co PA N Co / EL 2 X
LC Trachycephalus mesophaeus Co / EL
Leiuperidae
LC Physalaemus cuvieri Au; Co; Vi PA; EO D; N Co / EL 1, 2 X X X X X
LC Physalaemus nanus Au; Cap; Co; Vi; PA; EO D; N Co / EL 1, 2, 3, 4 X X X X X X
Leptodactylidae
nc Leptodactylus cf. auracaria Au; Gr; Vi PA; EO D; N Co / EL 1 X X X X X X X
nc Leptodactylus cf. engelsi Au; Co; Vi PA; EO D; N Co 1,2,3,4 X X X X X X
LC Leptodactylus gr. marmoratus Co / EL
LC Leptodactylus gracilis Au; Co; Vi PA; EO D; N Co / EL 1, 2, 3, 4 X X X X X X X
LC Leptodactylus latrans Cap; Co; Vi PA; EO N Co / EL 1, 2, 3, 4 X X X X X
LC Leptodactylus plaumanni Co
Michylidae
LC Chiasmocleis leucosticta Co / EL
LC Elachistocleis bicolor Co / EL
LC Elachistocleis ovalis Co

Anexo 2. Lista de espécies de répteis com provável ocorrência em Florianópolis, baseados em registros prévios na Coleção Herpetológica da UFSC (CHUFSC) e registros confirmados para a Fazenda da Ressacada e Campus através através das amostragens em campo durante uma pesquisa realizada por alunos e professores da UFSC entre os períodos de Julho de 2011 à Junho de 2012

Status de onservação das espécies: LC = lest concern (preocupação menor), NT = near threatened (quase ameaçado), VU = vulnerable (vunerável) nc = não consta

Ambientes: Silvicultura (Si); Banhado (Bn); Pastagem (Pa); Ambiente Antrópico (An); Mata em estágio inicial de regeneração (Mi); Mata em médio de regeneração (Mm); Mata em estágio avançado de regeneração (Ma) e Manguezal (Mg).

Tipo de Registro: A = Auditivo; Ca = captura e soltura ; Vi = Visual; F = Fotográfico, Co = Coleta, Gr = gravação

Status de Conservação com base na IUCN: http://www.iucnredlist.org/

Metodologia (MET): PA = procura ativa; EO (Encontro Ocasional). Período de Atividade (PER): N = noturno; D = diurno.

STATUS TÁXON REGISTO MET PER Bibliografia Campanha AMBIENTE
              An Bn Si Ma Mg Mi Mm Pa
Alligatoridae
LC Caiman latirostris   X
Amphisbaenidae  
nc Amphisbaena microcephalum   X  
nc Amphisbaena sp. Co EO 1 X
Anguidae  
nc Ophiodes fragilis X  
nc Ophiodes striatus X  
Chelidae  
nc Hydromedusa tectifera   X  
Cheloniidae  
EN Chelonia mydas   Co  
Colubridae  
nc Chironius exoletus Co EO Co 1 X
nc Chironius foveatus Co  
nc Chironius laevicollis Co  
nc Chironius sp. Vi PA D 3 X
nc Clelia plumbea Co  
nc Dipsas albifrons Co  
nc Dipsas alternans Co  
nc Echinanthera bilineata Co  
nc Echinanthera cyanopleura Co  
nc Imantodes cenchoa Co  
nc Liophis miliaris Vi PA D Co 3 X
nc Oxyrhopus clathratus Co  
nc Philodryas aestiva Co  
nc Philodryas patagoniensis F EO D Co 3 X
nc Sibynomorphus neuwiedi Co; F; Vi PA; EO D; N Co 2 X X
LC Siphlophis pulcher Co
nc Spilotes pullatus Co
LC Tropidodryas serra Co
LC Xenodon neuwiedii   Co
Elapidae
nc Micrurus coralinus Co, F, Vi EO D Co 2, 3 X X
Emydidae  
LC Trachemys scripta elegans F EO D 1 X
Gekkonidae  
nc Hemidactylus mabouia Cap; Vi PA; EO D; N Co 1, 2, 3, 4 X
Gymnophthalmidae
nc Colobodactylus taunayi   Co
Leiosauridae
nc Enyalius iheringii   Co
Liolaemidae
VU Liolaemus occipitalis   Co
Scincidae
nc Mabuya dorsivittata Co PA N Co 1.2 X X
Teiidae
nc Cnemidophorus lacertoides Co
LC Tupinambis merianae   Co
Typhlopidae
nc Typhlops brongersmianus   Co
Viperidae
LC Bothrops jararacussu Co
nc Bothropoides jararaca Co, Ve, Vi PA; EO D; N Co 1, 2, 3, 4 X X

Anexo 3. Lista de espécies de aves com provável ocorrência e com registros bibliográficos para a região da Ilha de Santa Catarina, e registros confirmados para a Fazenda Experimental da Ressacada e Campus, e Status de Conservação das espécies.

Ambientes: Eucalipto; Banhado; Pastagem; Ambiente Antrópico; Mata em estágio inicial de regeneração; Mata em médio de regeneração; Mata em estágio avançado de regeneração.

Tipo de Registro: A = Auditivo; Ca = captura acidental ; Vi = Visual; F = Fotográfico

Status de Conservação (com base em IUCN, 2006): Criticamente em perigo (CR); Em Perigo (EN); Vulnerável (VU), segundo as listas BR = lista nacional (MMA, 2008) e SC = lista de espécies ameaçadas de Santa Catarina (IGNIS, 2010).

Campanhas: (1) registro realizado em agosto de 2011.

Referências bibliográficas: (1) Rosário (1996); (2) Naka & Rodrigues (2000); (3) Azevedo et al (2003); (4) Amorim & Piacentini (2006); (5) Piacentini et al (2009); (6)Piacentini et al (2006); (7) Efe et al (2007); (8)Ghizoni-Jr & Azevedo (2006); (9) Rosário (2004).

STATUS

TÁXON

NOME COMUM

REGISTRO

AMBIENTE

TIPO DE REGISTRO

MMA/SC

Ordem/Família/Espécie

Bibliográfico

Campanhas

Eucalipto

Banhado

Pastagem

Antrópico

M. Inicial

M. Média

M. Avançada

 

Tinamidae
Crypturellus obsoletus

Inhambuguaçu

1,2,7

Crypturellus parvirostris

Inhambu-chororó

Crypturellus tataupa

Inhambu-chintã

Nothura maculosa

Codorna

1,2

Tinamus solitarius

Macuco

2

Anatidae
Amazonetta brasiliensis

Pé-vermelho

1,2,7

1,2,3

X

X

VI; A

Anas bahamensis

Marreca-toicinho

Anas georgica

Marreca-parda

2

1

X

X

VI

Anas versicolor

Marreca-cricri

Cariana moscata

Pato-do-mato

2

Coscoroba coscoroba

Capororoca

2

Dendrocygna bicolor

Marreca caneleira

Dendrocygna viduata

Irerê

2

2

X

VI; A

Cracidae

VU/CR

Aburria jacutinga

Jacutinga

Ortalis guttata

Aracuã

1,2,7

1,2,3

X

X

X

VI;A

Penelope obscura

Jacuaçu

/VU

Penelope superciliaris

Jacupemba

Odontophoridea
Odontophorus capueira

Uru

Podicipedidae
Podicephorus major

Mergulhão grande

Podilymbus podiceps

Mergulhão-caçador

2

Rollandia rolland

Mergulhão-de-orelha-branca

2

Tachybaptus dominicus

Mergulhão-pequeno

Spheniscidae
Spheniscus magellanicus

Pingüim-de-magalhães

1,2

Diomedeidae

VU/VU

Diomedea epomophora

Albatroz-real

1,2

VU/VU

Diomedea exulans

Albatroz-gigante

1,2

VU/EN

Thalassarche chlororhynchos

Albatroz-de-nariz-amarelo

2

/VU

Thalassarche chrysostoma

Albatroz-de-cabeça-cinza

VU/EN

Thalassarche melanophris

Albatroz-de-sombrancelha

1,2

Procellariidae
Calonectris borealis

Bobo-grande

2

Fulmarus glacialoides

Pardelão-prateado

1,2

Macronectes giganteus

Petrel-gigante

1,2

Pachyptila belcheri

Faigão-de-bico-fino

1,2

Pachyptila desolata

Faigão-rola

2

VU/VU

Procellaria aequinoctialis

Pardela-preta

1,2

VU/EN

Pterodroma incerta

Grazina-de-barriga-branca

1,2

Pterodroma lessoni

Grazina-de-cabeça-branca

2

Puffinus gravis

Bobo-grande-de-sobre-branco

2

Puffinus griseus

Bobo-escuro

1,2

Puffinus puffinus

Bobo-pequeno

1,2

Hydrobatidae
Oceanites oceanicus

Alma-de-mestre

1,2

Ciconiidae
Ciconia maguari

Maguari

Mycteria americana

Cabeça-seca

Fregatidae
Fregata magnifiscens

Tesourão

1,2,7

1,2,3

VI

Sulidae
Morus serrator

Atobá-australiano

1

Sula dactylatra

Atobá-grande

1

Sula leucogaster

Atobá-pardo

1,2,7

Phalacrocoracidae
Phalacrocorax brasilianus

Biguá

1,2,7

2

VI

Anhingidae
Anhinga anhinga

Biguatinga

Ardeidae
Ardea alba

Garça-branca-grande

1,2,7

1,2,3

X

X

X

VI

Ardea cocoi

Garça-moura

1,2,7

1,2,3

X

VI

Botaurus pinnatus

Socó-boi-baio

1

X

VI; A

Bubulcus ibis

Garça-vaqueira

1,2,7

1,2,3

X

X

VI

Butorides striata

Socozinho

1,2,7

2

X

VI

Cochleariu cochlearius

Arapapá

2

Egretta caerulea

Garça-azul

1,2,7

2

X

VI

Egretta thula

Garça-branca-pequena

1,2,7

1,2,3

X

X

VI

Ixobrychus exilis

Socoí-vermelho

1,2

Ixobrychus involucris

Socoí-amarelo

Nyctanassa violacea

Savacu-de-coroa

1,2,7

Nycticorax nycticorax

Savacu

1,2,7

2

X

VI

Pilherodius pileatus

Garça-real

Syrigma sibilatrix

Maria-faceira

1,2,7

1,2,3

X

X

X

VI; A

VU/CR

Tigrisoma fasciatum

Socó-boi-escuro

Tigrisoma lineatum

Socó-boi

Threskiornithidae

/CR

Eudocimus ruber

Guará

1

Mesembrinibis cayennensis

Coró-coró

Phimosus infuscatus

Tapicuru-de-cara-pelada

5

1,2,3

X

VI

Platalea ajaja

Colhereiro

1,2,7

Plegadis chihi

Caraúna-de-cara-branca

1,2

X

VI

Theristicus caudatus

Curicaca

Phoenicopteridae
Phoenicoparrus andinus

Flamingo-grande-dos-andes

Phoenicopterus chilensis

Flamingo-chileno

Cathartidae
Cathartes aura

Urubu-de-cabeça-vermelha

1,2,7

1,2,3

X

X

X

X

VI

Cathartes burrovianus

Urubu-de-cabeça-amarela

6

Coragyps atratus

Urubu-de-cabeça-preta

1,2,7

1,2,3

X

X

X

X

X

VI

Sarcoramphus papa

Urubu-rei

6

Pandionidae
Pandion haliaetus

Águia-pescadora

1,2,3,6,7

Accipitridae
Accipiter bicolor

Gavião-bombachinha-grande

Accipiter striatus

Gavião-miúdo

1,2,3,7

2

X

X

VI

/VU

Accipiter superciliosus

Gavião-miudinho

VU/VU

Amadonastur lacernulatus

Gavião-pombo-pequeno

2,3

1

X

VI; F

Buteo brachyurus

Gavião-de-cauda-curta

1,2,3,7

1

X

VI

Buteo nitidus

Gavião-pedrês

3,7

Circus buffoni

Gavião-do-banhado

2,3

X

VI

Elanoides forficatus

Gavião-tesoura

1,2,3,7

2

X

X

X

VI

Elanus leucurus

Gavião-peneira

1,2,3

/VU

Geranoaetus melanoleucus

Águia-chilena

1,2,3

Geranospiza caerulescens

Gavião-pernilongo

Harpagus diodon

Gavião-bombachinha

1,2,3,7

/CR

Harpia harpyja

Gavião-real

Heterospizias meridionalis

Gavião-caboclo

Ictinia plumbea

Sovi

1,2,3

Leptodon cayanensis

Gavião-de-cabeça-cinza

/CR

Morphnus guianensis

Uiraçu-falso

Parabuteo leucorrhous

Gavião-de-sobre-branco

3

Parabuteo unicinctus

Gavião-asa-de-telha

Pseudastur polionotus

Gavião-pombo-grande

3

Rostrhamus sociabilis

Gavião-caramujeiro

2,3

2

X

VI; A

Rupornis magnirostris

Gavião-carijó

1,2,3,7

1,2,3

X

X

X

X

X

X

VI; A

/EN

Spizaetus melanoleucus

Gavião-pato

/CR

Spizaetus ornatus

Gavião-de-penacho

/VU

Spizaetus tyrannus

Gavião-pega-macaco

1,2,3,7

1

X

X

VI; F

Urubitinga urubitinga

Gavião-preto

7

1,2

X

X

VI; F

Falconidae
Caracara plancus

Caracará

1,2,3,7

1,2,3

X

VI

Falco femoralis

Falcão-de-coleira

6

Falco peregrinus

Falcão-peregrino

1,2,3

2,3

X

VI

Falco sparverius

Quiriquiri

2,3

Herpetotheres cachinnans

Acauã

3

X

VI

Micrastur ruficollis

Falcão-caburé

Micrastur semitorquatus

Falcão-relógio

Milvago chimachima

Carrapateiro

1,2,3,7

1,2,3

X

X

X

X

VI; A

Milvago chimango

Chimango

1,2,3,7

1,2,3

X

X

X

X

X

X

VI; A; F

Aramidae
Aramus guarauna

Carão

1,2,3

X

VI; A; F

Rallidae
Aramides cajanea

Saracura-três-potes

1,2,7

1,3

X

A; F

Aramides saracura

Saracura-do-mato

1,2,7

1,2,3

X

X

X

X

VI; A

Fulica armillata

Carqueja-de-bico-manchado

1,2

Gallinula galeata

Frango-d’água-comum

1,2

Laterallus leucopyrrhus

Sanã-vermelha

1,2,3

X

CA; A

Laterallus melanophaius

Sanã-parda

2,7

1

X

A

Pardirallus maculatus

Saracura-carijó

Pardirallus nigricans

Saracura-sanã

2,7

1,3

X

A

Pardirallus sanguinolentus

Saracura-do-banhado

1,2

1,2,3

X

A

Porphyrio matinica

Frango-d’água-azul

Porzana albicollis

Sanã-carijó

2,7

/VU

Rallus longirostris

Saracura-matraca

1,2

Caradriidae
Charadrius collaris

Batuíra-de-coleira

1,2,7

Charadrius semipalmatus

Batuíra-de-bando

1,2,7

Pluvialis dominica

Batruiruçu

Pluvialis squatarola

Batuiruçu-de-axila-preta

2

Vanellus chilensis

Quero-quero

1,2,7

1,2,3

X

X

X

VI; A

Haematopodidae
Haematopus palliatus

Piru-piru

1,2

Recurvirostridae
Himantopus melanurus

Pernilongo-de-costas-brancas

1,2,7

Scolopacidae
Actitis macularius

Macário-pintado

1,2,7

Arenaria interpres

Vira-pedras

Bartramia longicauda

Maçarico-do-campo

Calidris alba

Maçarico-branco

Calidris canutus

Maçarico-de-papo -vermelho

2,7

Calidris fuscicollis

Maçarico-de-sobre-branco

2,7

Calidris melanotos

Maçarico-de-colete

Calidris pusilla

Maçarico-rasterio

Gallinago paraguaiae

Narceja

1,2,7

2

X

VI

Limosa haemastica

Maçarico-de-bico-virado

Numenius phaeopus

Maçarico-galego

Phalaropus tricolor

Pisa-n’água

Tringa flavipes

Maçarico-de-perna-amarela

1,2,7

Tringa melanoleuca

Maçarico-grande-de-perna-amarela

1,2,7

Tringa solitaria

Maçarico-solitário

1,2

Jacanidae
Jacana jacana

Jaçanã

1,2

1

X

VI

Laridae
Chroicocephalus maculipennis

Gaivota-maria-velha

1,2,7

Larus atlanticus

Gaivota-de-rabo-preto

Larus cirrocephalus

Gaivota-de-cabeça-cinza

2

Larus dominicanus

Gaivotão

1,2

1,2

VI

Sternidae
Gelochelidon nilotica

Trinta-réis-de-bico-preto

Phaetusa simplex

Trinta-réis-grande

Sterna hirundinacea

Trinta-réis-de-bico-vermelho

1,2,7

Sterna hirundo

Trinta-réis-boreal

6

Sterna trudeaui

Trinta-réis-de-coroa-branca

1

Sternula supeciliaris

Trinta-réis-anão

1,2

Thalasseus acuflavidus

Trinta-réis-de-bando

1,2,7

/VU

Thalasseus maximus

Trinta-réis-real

1,2,7

Rynchopidae
Rynchops niger

Talha-mar

1,2,7

Columbidae
Columba livia

Pombo-domestico

1,2,7

1,3

X

VI

Columbina picui

Rolinha-picui

1,2,7

Columbina talpacoti

Rolinha-roxa

1,2,7

1,2,3

X

X

X

VI; A

Geotrygon montana

Pariri

7

Leptotila rufaxilla

Juriti-gemedeira

1,2,7

Leptotila verreauxi

Juriti-pupu

1,2,7

1,2,3

X

X

X

X

X

VI; A

Patagioenas cayennensis

Pomba-galega

1,2,7

2

X

X

VI

Patagioenas picazuro

Pombão

1,2,7

1,2,3

X

X

X

X

VI; A

Patagioenas plumbea

Pomba-amargosa

Zenaida auriculata

Pomba-de-bando

Psittacidae
Amazona aestiva

Papagaio-verdadeiro

2,7

1,2,3

X

X

VI; A

Aratinga leucophthalma

Periquitão-maracanã

Brotogeris tirica

Periquito-rico

1,2

Forpus xanthopterygius

Tuim

2

Myiopsitta monachus

Caturrita

4

Pionopsitta pileata

Cuiu-cuiu

Pionus maximiliani

Maitaca-verde

1,2

/CR

Primolius maracana

Maracanã-verdadeira

Pyrrhura frontalis

Tiriba-de-testa-vermelha

2

/VU

Triclaria malachitacea

Sabiá-cica

Cuculidae
Coccyzus melacoryphus

Papa-lagarta-acanelado

2

Crotophaga ani

Anu-preto

1,2,7

1,2,3

X

X

X

VI; A; F

Dromococcyx phasianellus

Peixe-frito-verdadeiro

Guira guira

Anu-branco

1,2,7

1,2,3

X

X

VI; A

Micrococcyx cinereus

Papa-lagarta-cinzento

Piaya cayana

Alma-de-gato

1,2,7

1,2,3

X

X

X

VI; A

Tapera naevia

Saci

1,2,7

1,2,3

X

X

X

X

VI; A

Tytonidae
Tyto alba

Coruja-da-igreja

1,2,3

Strigidae
Asio clamator

Coruja-orelhuda

2,3,7

1

X

X

X

VI; A;F

Asio stygius

Mocho-diabo

2,3,7

Athene cunicularia

Coruja-buraqueira

1,2,3,7

1,2,3

X

VI

Bubo virginianus

Jacurutu

3,6

Glaucidium brasilianum

Caburé

Glaucidium minutissimum

Caburé-muidinho

Megascops atricapilla

Corujinha-sapo

Megascops choliba

Corujinha-do-mato

1,2,3,7

Megascops sanctaecatarinae

Corujinha-do-sul

Pulsatrix koeniswaldiana

Murucututu-de-barriga-amarela

Pulsatrix perspicillata

Murucututu

/EN

Strix huhula

Coruja-preta

Strix hylophila

Coruja-listrada

1,2,3

Strix virgata

Coruja-do-mato

Nyctibiidae
Nyctibius griseus

Mãe-da-lua

1,2

1

X

VI

Caprimulgidae
Chordeiles nacunda

Corucão

2

Hydropsalis albicollis

Bacurau

2

1,2

X

X

VI; A; F

Hydropsalis forcipata

Bacurau-tesoura-gigante

Hydropsalis longirostris

Bacurau-da-telha

1,2

Hydropsalis torquata

Bacurau-tesoura

1,2,7

1,2,3

X

X

VI; F

Lurocalis semitorquatus

Tuju

2

Apodidae
Chaetura cinereiventris

Andorinhão-de-sobre-cinzento

2,7

Chaetura meridionalis

Andorinhão-do-temporal

1,2,7

2,3

X

X

VI

Cypseloides fumigatus

Taperuçu-preto

1,2

Streptoprocne biscutata

Andorinhão-de-coleira-falha

Streptoprocne zonaris

Andorinhão-de-coleira

1,2,7

1,2

X

X

X

VI; A

Trochilidae
Amazilia fimbriata

Beija-flor-de-garganta-verde

1,2,7

1,2,3

X

X

X

X

X

VI; A

Amazilia lactea

Beija-flor-de-peito-azul

Amazilia versicolor

Beija-flor-de-banda-branca

1,2

1

X

VI; F

Anthracothorax nigricollis

Beija-flor-de-veste-preta

1,2

Aphantochroa cirrhochloris

Beija-flor-cinza

Calliphlox amethystina

Estrelinha-ametista

Chlorostilbon lucidus

Besourinho-de-bico-vermelho

1,2,7

Clytolaema rubricauda

Beija-flor-rubi

Colibri serrirostris

Beija-flor-de-orelha-violeta

Eupetomena macroura

Beija-flor-tesoura

2

X

VI

Florisuga fusca

Beija-flor-preto

1,2,7

2

X

VI

Hylocharis chrysura

Beija-flor-dourado

Leucochloris albicollis

Beija-flor-de-papo-branco

1,2

1

X

VI;F

Lophornis chalybeus

Topetinho-verde

Lophornis magnificus

Topetinho-vermelho

Phaetornis eurynome

Rabo-branco-de-garganta-rajada

Phaetornis pretrei

Rabo-branco-acanelado

Phaetornis squalidus

Rabo-branco-pequeno

Ramphodon naevius

Beija-flor-rajado

Stephanoxis lalandi

Beija-flor-de-topete

2

Thalurania glaucopis

Beija-flor-de-fronte-violeta

1,2,7

Trogonidae
Trogon rufus

Surucuá-de-barriga-amarela

Trogon surrucura

Surucuá-variado

/EN

Trogon viridis

Surucuá-grande-de-barriga-amarela

Alcedinidae

/VU

Chloroceryle aenea

Martinho

Chloroceryle amazona

Martim-pescador-verde

1,2,7

Chloroceryle americana

Martim-pescador-pequeno

1,2,7

/EN

Chloroceryle inda

Martim-pescador-da-mata

1,2

Megaceryle torquata

Martim-pescador-grande

1,2,7

1,2,3

X

X

VI; A

Momotidae
Baryphthengus ruficapillus

Juruva-verde

Bucconidae
Malacoptila striata

Barbudo-rajado

Nonnula rubecula

Macuru

/VU

Notharchus swainsoni

Macuru-de-barriga-castanha

Nystalus chacuru

João-bobo

Ramphastidae
Pteroglossus bailoni

Araçari-banana

Ramphastos dicolorus

Tucano-de-bico-verde

1,2

Ramphastos vitellinus

Tucano-de-bico-preto

1,2

1

X

VI

Selenidera maculirostris

Araçari-poca

Picidae
Campephilus robustus

Pica-pau-rei

Celeus flavescens

Pica-pau-de-cabeça-amarela

1,2,7

1,2,3

X

X

VI; A

Colaptes campestris

Pica-pau-do-campo

1,2,7

1,2,3

X

X

X

X

VI; A; F

Colaptes melanochloros

Pica-pau-verde-barrado

1,2

VU/VU

Dryocopus galeatus

Pica-pau-de-cara-canela

Dryocopus lineatus

Pica-pau-de-banda-branca

1,2,7

Melanerpes candidus

Pica-pau-branco

Melanerpes flavifrons

Benedito-de-testa-amarela

1,2

Piculus aurulentus

Pica-pau-dourado

/VU

Piculus flavigula

Pica-pau-bufador

Picumnus temmincki

Pica-pau-anão-de-coleira

1,2,7,8

1,2,3

X

X

X

VI; A

Veniliornis spilogaster

Picapauzinho-verde-carijó

1,2,7,8

2

X

VI; A

Thamnophilidae
Batara cinerea

Matracão

VU/VU

Biatas nigrepectus

Papo-branco

Drymophila ferruginea

Trovoada

Drymophila malura

Choquinha-carijó

Drymophila ochropyga

Choquinha-de-dorso-vermelho

/EN

Drymophila squamata

Pintadinho

Dysithamnus mentalis

Choquinha-lisa

1,2,7,8

2,3

X

X

VI; A

Dysithamnus stictothorax

Choquinha-de-peito-pintado

Herpsilochmus rufimarginatus

Chorozinho-de-asa-vermelha

2,8

Hypoedaleus guttatus

Chocão-carijó

Mackenziaena leachii

Borralhara-assobiadora

Mackenziaena severa

Borralhara

Myrmeciza squamosa

Papa-formiga-da-grota

2,7

1,2,3

X

X

VI; A

Myrmotherula gularis

Choquinha-de-garganta-pintada

2

Myrmotherula unicolor

Choquinha-cinzenta

Piryglena leucoptera

Papa-taoca-do-sul

Tenura maculata

Zidedê

Thamnophilus caerulescens

Choca-da-mata

1,2,7

Thamnophilus ruficapillus

Choca-de-chapéu-vermelho

1,2

Conopophagidae
Conopophaga lineata

Chupa-dente

1

Conopophaga melanops

Cuspidor-de-mascara-preta

1,2

Grallariidae
Grallaria varia

Tovacuçu

Hylopezus nattereri

Pinto-do-mato

Rhinocryptidae
Eleoscyitalopus indigoticus

Macuquinho

1,2,7

/VU

Merulaxis ater

Entufado

Psilorhamphus guttatus

Tapaculo-pintado

Scytalopus speluncae

Tapaculo-preto

Formicariidae
Chamaeza campanisona

Tovaca-campainha

Chamaeza ruficauda

Tovaca-de-rabo-vermelho

Formicarius colma

Galinha-do-mato

1,2,7

Scleruridae

/VU

Geositta cunicularia

Curriqueiro

1,2

Sclerurus scansor

Vira-folha

2

Dendrocolaptidae
Dendrocincla turdina

Arapaçu-liso

Dendrocolaptes platyrostris

Arapaçu-grande

Lepidocolaptes falcinellus

Arapaçu-escamado-do-sul

Sittasomus griseicapillus

Arapaçu-verde

1,2,7,8

Xiphocolaptes albicollis

Arapaçu-de-garganta-branca

2

Xiphorhynchus fuscus

Arapaçu-rajado

Furnariidae
Anabacerthia amaurotis

Limpa-folha-miúdo

Anabazenops fuscus

Trepador-coleira

Automolus leucophtalmus

Barranqueiro-de-olho-branco

Certhiaxis cinnamomeus

Curutié

1

X

VI; A

Cichlocolaptes leucophrus

Trepador-sombrencelha

Cinclodes fuscus

Pedreiro-dos-andes

2

Furnarius rufus

João-de-barro

1,2,7

1,2,3

X

VI; A

Heliobletus contaminatus

trepadorzinho

Lochmias nematura

João-porca

Philydor atricapillus

Limpa-folha-coroado

1,2,7,8

Philydor lichtensteini

Limpa-folha-ocráceo

1,2,8

Philydor rufum

Limpa-folha-de-testa-baia

1,2,8

Synallaxis frontalis

Petrim

Synallaxis ruficapilla

Pichororé

Synallaxis spixi

João-teneném

1,2,7

1,2,3

X

X

X

VI; A

Syndactyla rufosuperciliata

Trepador-quiete

Xenops minutus

Bico-virado-miúdo

Xenops rutilans

Bico-virado-carijó

2

Pipridae
Chiroxiphia caudata

Tangará

1,2,7,8

3

X

A

Ilicura militaris

Tangarazinho

Manacus manacus

Rendeira

1,2,7

1,2,3

X

X

X

VI; A; F

Tityridae
Myiobius barbatus

Assanhadinho

Oxyruncus cristatus

Araponga-do-horto

Pachyramphus castaneus

Caneleiro

Pachyramphus polychopterus

Caneleiro-preto

Pachyramphus validus

Caneleiro-de-chapéu-preto

2

Pachyramphus viridis

Caneleiro

Schiffornis virescens

Flautim

1,2,7,8

Tityra cayana

Anhambé-branco-de-rabo-preto

1,2

Tityra inquisitor

Anhambé-branco-de-bochecha-parda

1,2

Cotingidae
Carpornis cuculata

Corocochó

/EN

Lipaugus lanioides

Tropeiro-da-serra

/EN

Phibalura flavirostris

Tesourinha-da-mata

Procnias nudicollis

Araponga

/EN

Pyroderus scutatus

Pavó

Tyranoidea (INCERTAE SEDIS)*
Piprites chloris

Papinho-amarelo

VU/EN

Piprites pileata

Caneleirinho-de-chapéu-preto

/VU

Platyrhinchus leucoryphus

Patinho-gigante

Platyrhinchus mystaceus

Patinho

1,2,7,8

Rinchocyclidae

/EN

Hemitriccus diops

Olho-falso

VU/VU

Hemitriccus kaempferi

Maria-catarinense

Hemitriccus orbitatus

Tiririzinho-do-mato

Leptopogon amaurocephalus

Cabeçudo

1,2,7,8

1,2,3

X

X

VI; A

Mionectes rufiventris

Abre-asa-de-cabeça-cinza

1,2,7,8

Myiornis auricularis

Miudinho

/VU

Phyllocartes oustaleti

Papa-mosca-de-olheiras

/EN

Phylloscartes difficilis

Estalinho

/CR

Phylloscartes eximius

Barbudinho

VU/

Phylloscartes kronei

Maria-da-restinga

Phylloscartes paulista

Não-pode-parar

/EN

Phylloscartes sylviolus

Maria-pequena

Phylloscartes ventralis

Borboletinha-do-mato

Poecilotriccus plumbeiceps

Tororó

Todirostrum poliocephalum

Teque-teque

Tolmomyias sulphurescens

Bico-chato-de-orelha-preta

1,2,7,8

3

X

X

A

Tyrannidae
Attila phoenicurus

Capitão-castanho

Attila rufus

Capitão-de-saíra

2,7

Camptostoma obsoletum

Risadinha

1,2,7,8

1,2,3

X

X

X

X

X

X

VI; A

Cnemotriccus fuscatus

Guaracavuçu

1,2,6,7

Colonia colonus

Viuvinha

Conopias trivirgatus

Bem-te-vi-pequeno

1,2

Contopus cinereus

Papa-moscas-cinzento

Elaenia flavogaster

Guaracava-de-barriga-amarela

1,2,7

1,2,3

X

X

X

X

VI;A

Elaenia mesoleuca

Tuque

1,2,7

Elaenia obscura

Tucão

2

1,2

X

X

X

VI; A

Elaenia parvirostris

Guaracava-de-bico-curto

1,2

2,3

X

VI; A

Empidonomus varius

Peitica

1,2

2

X

VI; A

Euscarthmus melanoryphus

Barulhento

7

Hirundinea ferruginea

Gibão-de-couro

Knipolegus cyanirostris

Maria-preta-de-bico-azulado

Knipolegus nigerrimus

Maria-preta-de-garganta-vermelha

Knopolegus lophotes

Maria-preta-de-penacho

Lathrotriccus euleri

Enferrujado

2,7

Legatus leucophaius

Bem-te-vi-pirata

1,2

Machetornis rixosa

Suiriri-cavaleiro

1,2

1

X

X

VI

Megarynchus pitangua

Neinei

1,2

1,2,3

X

X

VI; A

Muscipipra vetula

Tesoura-cinzenta

Myiarchus ferox

Maria-cavaleira

2,7

Myiarchus swainsoni

Irré

1,2,7

2

X

VI; A

Myiarchus tyrannulus

Maria-caaleira-de-rabo-enferrujado

1,2

Myiodinastes maculatus

Bem-te-vi-rajado

1,2,7

2

X

X

VI; A

Myiopagis viridicata

Guaracava-de-crista-alaranjada

Myiophobus fasciatus

Filipe

1,2,7

1,2,3

X

X

X

X

VI; A

Myiozetetes similis

Bentevizinho-de-penacho-vermelho

1,2,7

1,2,3

X

X

VI; A; F

Phyllomyas fasciatus

Piolhinho

1,2

Phyllomyias griseocapilla

Piolhinho-serrano

Phyllomyias virescens

Piolhinho-verdoso

Pitangus sulphuratus

Bem-te-vi

1,2,7,8

1,2,3

X

X

X

X

X

X

X

VI; A

Pyrocephalus rubinus

Príncipe

1,2

Satrapa icterophrys

Suiriri-pequeno

1,2

Serpophaga nigricans

João-pobre

2

Serpophaga subcristata

Alegrinho

2,7

1,2,3

X

X

X

X

X

VI; A

Syristes sibilator

Gritador

2

Tyranniscus burmeisteri

Piolhinho-chiador

Tyrannus melancholicus

Suiriri

1,2,7

2,3

X

X

VI; A

Tyrannus savana

Tesourinha

1,2,7

2

X

VI; A

Xolmis irupeo

Noivinha

2

1,2,3

X

X

VI

Vireonidae
Cyclarhis gujanensis

Pitiguari

1,2,7

Hylophilus poicilotis

Verdinho-coroado

Vireo olivaceus

Juruviara

1,2

2,3

X

X

X

VI; A

Corvidae
Cyanocorax caeruleus

Gralha-azul

1,2,7

1,2,3

X

X

X

X

X

VI; A

Cyanocorax chrysops

Gralha-picaça

Hirundinidae
Alopochelidon fucata

Andorinha-morena

2

Hirundo rustica

Andorinha-de-bando

1,2

Petrochelidon pyrrhonota

Andorinha-de-dorso-acanelado

1,2

Progne chalybea

Andorinha-doméstica-grande

1,2,7

1,2

X

VI

Progne tapera

Andorinha-do-campo

1,2

2,3

X

X

X

X

VI

Pygochelidon cyanoleuca

Andorinha-pequena-de-casa

1,2,7

1,2,3

X

X

X

X

VI; A

Riparia riparia

Andorinha-do-barranco

7

Stelgidopteryx ruficollis

Andorinha-serradora

1,2,7

2

X

X

VI

Tachycineta leucorrhoa

Andorinha-de-sobre-branco

1,2,7

1,2

X

X

VI

Troglodytidae
Cantorchilus longirostris

Garrinchão-do-bico-grande

Troglodytes musculus

Corruíra

1,2,7

1,2,3

X

X

X

X

X

X

VI; A

Polioptilidae
Pamphocaenus melanurus

Bico-assovelado

Turdidae
Turdus albicollis

Sabiá-coleira

1,2

1

X

X

VI

Turdus amaurochalinus

Sabiá-poca

1,2,8

1,2,3

X

X

X

VI; A

Turdus flavipes

Sabiá-una

1,2

1

X

X

VI

Turdus leucomelas

Sabiá-barranco

1,2

Turdus rufiventris

Sabiá-laranjeira

1,2

Mimidae
Mimus gilvus

Sabiá-da-praia

Mimus saturninus

Sabiá-do-campo

1,2

Mimus triurus

Calhandra-de-três-rabos

Motacillidae
Anthus lutescens

Caminhairo-zumbidor

1,2,7

1,2,3

X

VI; A

Coerebidae
Coereba flaveola

Cambacica

1,2,7,8

1,2,3

X

X

VI; A

Thraupidae
Chlorophanes spiza

Saí-verde

/EN

Cissops leverianus

Tietinga

Conirostrum speciosum

Figuinha-de-rabo-castanho

Dacnis cayana

Saí-azul

1,2,7,8

1,2,3

X

X

X

X

VI; A

Dacnis nigripes

Saí-de-pernas-pretas

6

Hemithraupis ruficapilla

Saíra-ferrugem

2,8

Lanio cucullatus

Tico-tico-rei

Lanio melanops

Tiê-de-topete

1,2,8

Orchesticus abeillei

Sanhaçu-pardo

Orthogonys chloricterus

Catirumbava

8

Pipraeidea melanonota

Saíra-viúva

1,2,8

1

X

X

X

VI

Pyrrhocoma ruficeps

Cabecinha-castanha

/VU

Ramphocelus bresilius

Tiê-sangue

2

/VU

Saltator fuliginosus

Pimentão

Saltator maxillosus

Bico-grosso

Saltator similis

Trinca-ferro-verdadeiro

2

Schistochlamys ruficapillus

Bico-de-veludo

Stephanophorus diadematus

Sanhaçu-frade

Tachyphonus coronatus

Tié-preto

1,2,7,8

1,2,3

X

X

X

X

VI; A

Tangara cyanocephala

Saíra-militar

1,2,8

Tangara cyanoptera

Sanhaçu-de-encontro-azul

1,2,8

1

X

VI

Tangara desmaresti

Saíra-lagarta

1,2

Tangara ornata

Sanhaçu-de-encontro-amarelo

1,2

Tangara palmarum

Sanhaçu-coqueiro

1,2,8

/EN

Tangara peruviana

Saíra-sapucaia

2,7

Tangara preciosa

Saíra-preciosa

1,2

1

X

VI; A; F

Tangara sayaca

Sanhaçu-cinzento

1,2,7,8

1,2,3

X

X

X

VI; A

Tangara seledon

Saíra-sete-cores

1,2

Tersina viridis

Saí-andorinha

Emberizidae
Ammodramus humeralis

Tico-tico-do-campo

1,2,7

1,2,3

X

VI; A; F

Donacospiza albifrons

Tico-tico-do-banhado

2

Emberezoides ypiranganus

Canário-do-brejo

2

2,3

X

VI; A

Embernagra platensis

Sabiá-do-banhado

Haplospiza unicolor

Cigarra-bambu

Poospiza cabanisi

Tico-tico-da-taquara

Poospiza nigrorufa

Quem-te-vestiu

Poospiza thoracica

Peito-pinhão

Sicalis flaveola

Canário-da-terra

1,2,7

1,2,3

X

X

VI; A

Sicalis luteola

Tipio

2

2,3

X

VI; A

/CR

Sporophila angolensis

Curió

Sporophila caerulescens

Coleirinho

1,2

1,2,3

X

X

X

VI; A; F

VU/VU

Sporophila frontalis

Pixoxó

7

Volatinia jacarina

Tiziu

1,2,7

1,2,3

X

X

VI; A

Zonotrichia capensis

Tico-tico

1,2,7

1,2,3

X

X

X

X

VI; A

Cardinalidae
Cyanoloxia brissonii

Azulão

Cyanoloxia glaucocaerulea

Azulinho

Habia rubica

Tiê-do-mato-grosso

1,2,7,8

1,3

X

VI; A

Piranga flava

Sanhaço fogo

Parulidae
Basileuterus culicivorus

Pula-pula

1,2,7,8

1,2,3

X

X

VI; A

Basileuterus leucoblepharus

Pula-pula-assobiador

Geothlypis aequinoctialis

Pia-cobra

1,2,7,8

1,2,3

X

X

X

X

X

X

VI; A

Parula pitiayumi

Mariquita

1,2,7,8

1,2,3

X

X

X

X

VI; A

Phaeothlypis rivularis

Pula-pula-ribeirinho

Icteridae
Agelaioides badius

Asa-de-telha

2,3

X

VI

Agelasticus thilius

Sargento

7

Amblyramphus holosericeus

Cardeal-do-banhado

2,7

Cacicus crysopterus

Tecelão

Cacicus haemorrhous

Guaxe

Crysomus ruficapillus

Garibaldi

2

Gnorimopsar chopi

Graúna/Pássaro-preto

Icterus pyrropterus

Encontro

2

Molothrus bonariensis

Vira-bosta

1,2

1,2

X

X

X

VI

Psarocolius decumanus

Japu

Pseudoleistes virescens

Dragão

1,2

Sturnella superciliaris

Polícia-inglesa-do-sul

1,2,7

2

X

VI; A

Fringillidae
Chlorophonia cyanea

Gaturamo-bandeira

1,2,8

Euphonia chalybea

Cais-cais

Euphonia cyanocephala

Gaturamo-rei

Euphonia pectoralis

Ferro-velho

2

Euphonia violacea

Gaturamo-verdaeiro

1,2,7,8

1,2,3

X

X

VI; A

Sporagra magellanica

Pintassilgo

2

Estrildidae
Estrilda astrild

Bico-de-lacre

1,2,7

1,2,3

X

VI; A

Passeridae
Passer domesticus

Pardal

1,2,7

1

X

VI; A

10    Equipe Responsável

RESPONSÁVEIS TÉCNICOS:

Maurício Eduardo Graipel (Doutor em Biociências) (CR Bio 17841-03)
Departamento de Ecologia e Zoologia / CCB

Erica Naomi Saito (Mestranda em Ecologia na UFSC)

Herpetologia (Répteis e Anfíbios):

Erica Naomi Saito (bacharel em Ciências Biológicas pela UFSC)

Anderson da Rosa (graduando em Ciências Biológicas na UFSC)

André Ambrozio (bacharel e licenciado em Ciências Biológicas na UFSC)

Carolina Erbes (graduanda em Ciências Biológicas na UFSC)

Caroline Angri (bacharel em Ciências Biológicas pela UNIPAMPA)

Caroline Batistim Oswald (graduanda em Ciências Biológicas na UFSC)

Douglas Lemos Farias (graduado em Ecologia pela UCPel)

Larissa Zanette (bacharel e licenciada em Ciências Biológicas na UFSC)

Laura Helena Bento Dacol (graduanda em Ciências Biológicas na UFSC)

Rafael Godoy (graduando em Ciências Biológicas na UFSC)

Vítor de Carvalho Rocha (graduando em Ciências Biológicas na UFSC)

Selvino Neckel de Oliveira (Doutor em Biologia – Ecologia)

Mastozoologia:

Laise Orsi Becker (graduanda em Ciências Biológicas na UFSC)

Felipe Moreli Fantacini (graduando em Ciências Biológicas na UFSC)

Raquel Elise Müller de Lima (graduanda em Ciências Biológicas na UFSC)

Maurício Eduardo Graipel (Doutor em Biociências)

Ornitologia:

Guilherme Willrich (bacharel e licenciado em Ciências Biológicas na UFSC)

Fernando Bittencourt de Farias (graduando em Ciências Biológicas na UFSC)

 

Ictiologia:

Gisela Costa Ribeiro (MSc-Peixes estuarino-marinhos, servidora do NEMAR/CCB/UFSC)

Miriam Sant’ Anna Ghazzi (PhD em Zoologia pela USP)

Ana Paula Burigo (Engenheira de aqüicultura pela UFSC)

Lucas Nunes Teixeira (graduando de engenharia de aqüicultura na UFSC)

Daniel Gomes (graduando de Oceanografia na UFSC)

Organização Simbiosis Empresa Júnior de Ciências Biológicas:

Benito Sbruzzi (graduando em Zootecnia na UFSC)

Laura Helena Bento Dacol (graduanda em Ciências Biológicas na UFSC)

Mayara Sberse (graduanda em Ciências Biológicas na UFSC)