Caracterização da Vegetação Nativa

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A. Resumo do Levantamento florestal realizado entre junho e outubro de 2010 pelo Núcleo de Pesquisas em Florestas Tropicais. e

B. Dados de levantamento de plantas forrageiras desenvolvido em 1998 por Gilmar Borsoi.

A. Levantamento da Cobertura Vegetal Nativa da Fazenda Experimental da Ressacada (UFSC)

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Resumo do Levantamento florestal realizado entre junho e outubro de 2010 pelo Núcleo de Pesquisas em Florestas Tropicais.

1.INTRODUÇÃO

Aproximadamente 23,39 ha da Fazenda Experimental da Ressacada é de vegetação nativa (Floresta Ombrófila Densa) e 28,89 ha de banhados (manchas de formações pioneiras com influência fluvial) e apenas 69,5 ha de área útil (instalações, áreas de lavoura, áreas de experimentos, etc).

A precipitação normal varia de 1270 a 1600 mm anuais. A média anual da umidade relativa do ar varia em torno de 82%, com insolação total anual de 2021 a 2166 horas. Geadas são raras e as horas de frio abaixo ou iguais a 7,2 são insuficientes para exploração econômica das principais variedades de frutíferas de clima temperado (EPAGRI, 2006).

Na descrição da cobertura original do estado catarinense, realizada por Klein (1978), a formação florestal característica desta região é a Floresta Tropical Atlântica. Segundo Klei (1978), ao longo da encosta atlântica, bem como nas planícies quaternárias, que confinam com a vegetação litorânea, encontra-se uma formação vegetal mais exuberante, mais complexa, formada por diversos agrupamentos distintos, quanto à sua composição, estrutura e, sobretudo quanto ao aspecto fitofisionômico. Pela classificação oficial do IBGE e de acordo com a Lei 11428/ 2006, a Ilha de Santa Catarina está compeltamente no âmbito do Bioma Mata Atlântica e a formação florestal em toda Ilha é a Floresta Ombrófila Densa. É neste contexto que se localiza a presente área de estudo, com presença de planícies quaternárias que são cobertas por um tipo bem característico de mata, bastante uniforme quanto a sua composição, bem como quanto ao seu aspecto fisionômico (Klein, 1978).

Assim, segundo a lei 11.428/2006 e resolução 04/CONAMA/94 (convalidada pela Resolução 388/ CONAMA/ 2007), as áreas de cobertura com remanescentes de Mata Atlântica em estágio sucessional médio e avançada não podem ser suprimidas. Além disso, ás áreas de banhado e margens de cursos dágua devem permanecer como áreas de presernvação permanente (Lei 4771/ 1965 – Código Florestal). Adicionalmente, toda propriedade deve conter 20% de sua área com cobertura vegetal nativa a título de reserva legal (Lei 4771/ 1965).

Neste sentido, este relatório visa apresentar os resultados do levantamente da cobertura vegetal árborea nativa, em termos de padrões vegetacionais e estágios sucessionais. Tais resultados objetivam dar suporte ao plano diretor da Fazenda Ressacada, no sentido de estabelecer finalidades e prioridades de ação para as diferentes áreas da Fazenda Ressacada, considerndo principalmente os fins didáticos pedagógicos e de realização de trabalhos de pesquisas e extensão na Fazenda.

2.OBJETIVOS

  1. Identificação das áreas com cobertura vegetacional árborea nativa;
  2. Estabelecer os padrões de vegetação e definir os estádios sucessionais com base na legislação vigente (Resolução 04/ CONAMA/ 1994, convalidada para Resolução 388/CONAMA/ 2007);
  3. Identificar as principais espécies nos diferentes padrões de vegetação identificados;
  4. Indicar as ações legais e prioridades decorrentes dos resultados obtidos

3.CARACTERÍSTICAS DA FLORESTA OMBRÓFILA DENSA

O termo Floresta Ombrófila Densa (FOD), segundo IBGE (1992) foi criado por Ellemberg & Mueller-Doumbois em substituição ao antigo termo utilizado, Floresta Pluvial.

A Floresta Ombrófila Densa é uma das principais formações que compõem o Bioma Mata Atlântica e se estende por quase toda a faixa litorânea do Brasil, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Caracteriza-se pela formação de um dossel uniforme quanto a sua coloração, forma das copas e altura, representando uma fitofisionomia muito característica e com poucas variações durante todo o ano (Reis, 1995).

A área de abrangência da FOD está estritamente relacionada com as características climáticas, ocorrendo em locais com temperaturas elevadas (médias de 25 ºC) e elevada precipitação, sendo esta bem distribuída durante todo o ano (IBGE, 2002).

Este tipo de vegetação é caracterizado por fanerófitos, justamente pelas subformas de vida macrofanerófitos, mesofanerófitos que ocupam o estrato médio, além dos megafanerófitos, que ocupam o estrato superior da floresta. Ocorrem ainda lianas lenhosas e epífitos, que diferenciam das outras classes de formações (IBGE, 2002).

A Floresta Ombrófila Densa Aluvial, classificada pelo IBGE (1992) caracteriza-se por ser uma formação ribeirinha que ocorre ao longo dos cursos de água ocupando os terraços antigos das planícies quaternárias. Esta formação é constituída por macro, meso e microfanerófitos, de rápido crescimento e em geral possuem casca lisa, tronco cônico e raízes tabulares. A floresta aluvial apresenta com freqüência um dossel emergente, entretanto, devido a exploração principalmente para fins madeireiros, a sua fisionomia torna-se bastante aberta. É uma formação com muitas palmeiras no estrato intermediário, apresentando na submata nanofanerófitos e caméfitos no meio de plântulas de regeneração natural do estrato emergente. Esta formação é equivalente a formação designada como Florestal Tropical de Planícies Quaternárias, descrita por Klein (1978) no Mapa Fitogeográfico de Santa Catarina. Tal formação é a fitofisionomia predominante nos remanescentes Florestais da Fazenda Ressacada.

Na floresta tropical das planícies quaternárias descritas por Klein (1978) predominam dois grupamentos distintos: O primeiro, com um aspecto mais homogêneo e bastante característico, com abundância de cupiúva (Tapirira guianensis), canela sassafrás (Ocotea pretiosa), canela amarela (Ocotea aciphylla), Olandi (Calophyllum brasiliense) e tanheiro (Alchornea triplinervia), que podem estar entremeadas por figueiras (Ficus spp.) de grande porte. O outro geralmente situa-se nas depressões do terreno, onde há pequenos cursos de água, caracterizado principalmente pela abundância do pau-de-santa-rita (Richeria australis).

Outras espécies características das planícies quaternárias, segundo Klein (1978) são: o pau-angelim (Andira fraxinifolia), canela-sebo (Persea racemosa), o capororocão (Rapanea venosa), e a baga-de-pomba (Byrsonima ligustrifolia). Ainda segundo Klein (1978), no estrato médio destas matas podemos encontrar as seguintes espécies: baga-de-morcego (Guarea lessoniana), cortiça (Guatteria dusenii), seca-ligeiro (Pera glabrata) e também o con-con (Erytroxylum amplifolium).

4. MATERIAL E MÉTODOS

Inicialmente, considerando o croqui fornecido pela equipe técnica da Fazenda Experimental da Ressacada, produzido pela empresa responsável por realizar o levantamento topográfico no local, as áreas com ocorrência de cobertura florestal nativa foram previamente identificadas (Figura 1).

A partir desta identificação foi realizado um caminhamento por todas estas áreas com o intuito de realizar uma estratificação. Através deste caminhamento foi possível estabelecer padrões de vegetação aparente com as mesmas referências para todos os membros da equipe.

Após a definição dos estratos (padrões vegetacionais), foi feito o reconhecimento de todas as áreas dentro da fazenda que continham fragmentos de vegetação nativa, procurando-se checar in loco as informações contidas no mapeamento da cobertura vegetal realizado anteriormente e definir as áreas prioritárias para realização do inventário com o objetivo de caracterização dos padrões de vegetação nativa e estágios sucessionais.

Para caracterização estrutural e florística dos estratos estabelcidos (inventário) utilizou-se o levantamento através da alocação de parcelas de 10 x 10 m, totalizando 100 m² cada parcela. O tamanho das parcelas foi definido em função do tamanho reduzido de vários fragmentos e da alta densidade aparente de indivídios em vários estratos. As parcelas foram distribuídas ao acaso, de forma a obter uma maior representatividade nos diferentes padrões de vegetação pré-estabelecidos. O número de parcelas nos diferentes padrões pode ser verificado na tabela 1.

Tabela 1. Número de parcelas e área ocupada nos diferentes estratos de vegetação identificados na Fazenda Ressacada. NPFT/UFSC, 2010.

Número de parcelas Área total das parcelas 6 600 m² 3 300 m² 6 600 m² 8 800m² 2 3 4

Estrato
1

O levantamento foi realizado individualmente em cada estrato pré-estabelecido, caracterizando-se a altura, o DAP (diâmetro a 1,3 m) e a identificação taxonômica de todos os indivíduos que possuíam DAP ≥ 3cm. A mensuração do diâmetro foi feita com o auxilio de paquímetro florestal, as alturas foram obtidas com o auxílio de régua e estimativas visuais.Para identificação taxonômica foram coletadas excicatas (na maioria dos casos de material estéril) e enviadas ao Prof. Ademir Reis. Parte das determinações foi realizada pelo Biólogo Lucas Milanesi.

Figura 1. Identificação dos fragmentos (1 a 14) a serem amostrados nos quatro estratos (padrões) de vegetação (vermelho – 1; laranjado – 2; verde -3; amarelo 4). (os fragmentos identificados como 7 e 13 foram desconsiderados devido ao fato so primeiro ser composto basicamente por vegetação com predominância de eucalipto e o segundo por ser pequeno demais para amostragem)

Após os levantamentos foram definidos os estádios sucessionais em cada uma dos estratos, bem como realizada a caracterização dos padrões de vegetação em cada um destes, partir da composição florística, densidade e uniformidade. Os estadios sucessionais foram definidos com base no previsto na Resolução 04/CONAMA/ 1994 em termos de DAP média, altura média e Área Basal em cada situação, conforme Tabela 2. Além dos fragmentos estudados uma faixa estreita adicinal acompanhando a estrada na divida noroeste da fazenda também apresenta vegetação nativa com características fitofisionômicas semelhantes ao estrato 1. Esta faixa não foi amostrada em função de suas dimenções não comportarem adequadamente a estrutura de amostragem definida (parcelas de 10x 10m). Também não foi realizada amostragem na área de ¨pastagem¨, localizada próximo a divisa norte (paralela ao aeroporto), onde há ocorrência de vegetação herbáceo-arbustiva, característica de vegetação em estádio inicial de sucessão, uma vez que está área tem siso empregada como pastagem. Contudo, a inexistência de práticas de roçada ou mesmo de uso mais intenso de pastoreio pode levar esta área a recuperar a sua vegetação arbórea em poucos anos.

Tabela 2. Parâmetros quantitativos para classificação dos estádios sucessionais da vegetação nativa em Santa Catarina, conforme a Resolução 04/ 94/ CONAMA.

DAP médio (cm)
Altura média (m)
Área Basal (m2/ha)

até 8
até 4
até 8

até 15
até 12
até 15

até 25
até 20
até 20

Estádio sucessional
Inicial Médio Avançado

5.RESULTADOS

Caracterização Florística Arbórea e arbustiva

Ao todo, foram identificadas 21 diferentes famílias botânicas nos quatro estratos de vegetação da fazenda experimental da ressacada (tabela 3). Em relação à ocorrência das famílias botânicas nos diferentes estratos, observa-se a presença de indivíduos das famílias Erythroxylaceae, Euphorbiaceae, Fabacea, Lauraceae e Mirtaceae em todos os estratos. Houve também uma maior incidência de espécies da família Mirtaceae em todos os estratos.

Ao se tratar especificadamente cada estrato, observa-se que houve uma maior diversificação de famílias nos estratos 1, 2 e 4 (15 famílias), seguido pelo estrato 3 (13 famílias).

Tabela 3. Número de indivíduos por hectare (abundância) por família botânica das espécies deterterminadas nos quatro estratos de vegetação nativa identificados na Fazenda Experimental da Ressacada. NPFT/UFSC, 2010.

Estrato 1 Estrato 2 Estrato 3 Estrato 4 733 567 167 0 33 33 67 0 17 67 367 25 50 100 0 0 33 467 0 13 0 0 17 13 250 200 267 75 783 400 200 413 83 100 17 88 0 0 0 13 1117 1033 133 100 517 0 183 350 1350 2433 967 450 0 0 0 13 100 333 33 0 17 67 0 13 0 0 183 38 0 133 17 175 67 33 0 13 0 100 0 0 17 0 0 0 5167 6067 2617 1788 Arecaceae Celastraceae Clusiaceae Cyatheaceae Elaeocarpaceae Erythroxylaceae Euphorbiaceae Fabaceae Flacortiaceae Lauraceae Melastomataceae Mirtaceae Moraceae Myrsinaceae Nyctiginaceae Rubiaceae Salicaceae Sapindaceae Sapotaceae Styracaceae Plantas ha-1 (fam. botânicas)

Família (plantas ha-1)
Aquifoliaceae

Na tabela 4 está referenciado o número de indivíduos por espécie encontrado em cada um dos estratos. O número de espécies por esgtrato variou de 21 (estrato 4) até 43 (estrato 1), ficando, em geral acima de 30 espécies amostradas por estrato. O total de espécies encontradas na Fazenda Experimental da Ressacada foi de 64, considerando todos os padrões de vegetação nativa existentes.

Tabela 4. Número de indivíduos por hectare por espécies por família botânica nos quatro estratos de remescentes florestais nativos na fazenda experimental da Ressacada. NPFT/UFSC, 2010.

ESTRATO 1
ESTRATO 2
ESTRATO 3
ESTRATO 4

43
31
32
21

17
0
50
0

450
367
33
0

0
67
33
0

67
133
50
0

200
0
0
0

0
0
17
0

33
33
33
0

0
0
33
0

17
67
367
13

67
100
0
0

33
467
0
0

33
33
17
13

433
200
0
0

0
0
267
63

650
367
67
50

0
33
0
0

133
0
133
225

17
0
0
0

33
0
0
0

0
100
0
0

0
0
17
0

0
0
0
13

33
0
0
50

33
0
0
0

0
0
0
13

1033
967
133
75

83
0
0
13

17
33
0
0

0
33
0
0

FAMÍLIA BOTÂNICA/ESPÉCIE
TOTAL DE ESPÉCIES Aquifoliaceae Ilex dumosa Ilex micodonta Ilex pseudobuxus Ilex sp. Ilex theezans Anacardiaceae Schinus therebentifolius Arecaceae Geonoma sp. Bactris setosa Celastraceae Maytenus robusta Clusiaceae Clusia criuva Cyatheaceae Cyathea delgadii Elaeocarpaceae Sloania monosperma Erythroxylaceae Erythoxylum myrsinites Erythoxylum argentinum Euphorbiaceae Pera glabrata Sinanthes concolor Alchornia triplinervia var. janeirensis Fabaceae Ormosea arborea Andira fraxinifolia Pithecellobium longsdorffii Inga sessilis Inga uruguensis Mimosa bimucronata Andira fraxinifolia Flacortiaceae Morfoespécie 1 Lauraceae Ocotea pulchella Morfoespécie 3 Morfoespécie 5 Morfoespécie 6

467
33
167
175

0
0
17
0

50
0
0
0

0
0
217
188

17
700
150
13

33
33
67
38

17
33
217
0

17
0
0
0

917
100
133
0

117
200
0
0

67
733
17
0

67
0
0
0

17
0
0
13

0
0
0
13

33
0
0
0

33
0
17
100

350
833
17
0

17
0
100
25

17
100
17
0

0
0
83
0

0
0
0
13

17
100
17
0

17
33
0
0

67
200
17
0

17
67
0
0

0
0
167
38

0
0
17
0

0
133
0
0

0
0
17
150

50
0
0
0

0
33
0
0

0
100
0
0

17
0
0
0

17
0
0
0

250
0
0
0

Melastomataceae
Miconia ligustroides Morfoespécie 7 Miconia sp. Myrtaceae Eugenia gracilis Eugenia umbelliflora Eugenia uniflora Eugenia sp. 1 Eugenia sp. 2 Eugenia sp. 3 Eugenia sp. 4 Eugenia sp. 5 Eugenia sp. 6 Marlierea sp. Myrceugenia sp. Myrcia sp. 1 Myrcia sp. 2 Myrcia sp. 3 Myrcia sp. 4 Psidium catteleyamum Psidium guayava Moraceae Brosimopsis lactescens Myrsinaceae Myrsine coriaceae Myrsine cv. Parvifolia Myrsine sp. Nyctaginaceae Guapira opposita Rubiaceae Rudgea cf. Jasminoides Psycohtria muda Salicaceae Casearia cf. decandra Casearia sylvestris Sapindaceae Cupania vernalis Allophylus edulis Sapotaceae Pouteria venosa Styracaceae Styrax leprosus Famílias não determinadas Morfoespécie 2 Morfoespécie 4

Os quatro estratos inicialmente determinados (Figura 1) apresentavam as seguintes características fitofisionômicas e florísticas:
Estrato 1: Vegetação nativa em bom estado de conservação, próxima a sede da fazenda. Maior ocorrência de indivíduos das famílias botânicas Mirtaceae, Lauraceae, Euphorbiaceae, Aquifoliaceae e Melastomataceae. As cinco espécies predominantes foram (todas com abundância superior a 400 indivíduos por ha): Ocotea pulchella, Eugenia sp3, Pera glabrata, Miconia ligustroides, Ilex micodonta e Erythoxylum myrsinites (Fragmenteos 1, 2, 3, 4, 14 e faixa ao lado da estrada que acompanha a divisa noroeste da Fazenda).

Estrato 2: Vegetação nativa com maior ocorrência de indivíduos das famílias Mirtaceae, Lauraceae, Aquifoliaceae, Cyatheaceae, Euphorbiaceae e Myrsinaceae. Apresentava extensões com ocorrência de várzeas e áreas alagadiças. As cinco espécies predominantes foram (todas com mais de 400 indivíduos por hectare): Ocotea pulchella, Myrcia sp3, Eugenia sp5, Eugenia umbelliflora e Cyathea delgadii. (Fragmento 5).

Estrato 3: Vegetação nativa com grande heterogeneidade entre os fragmentos, alguns aparentemente com estrutura arbóreas mais preservada, próxima ao Aeroporto Internacional de Florianópolis. Maior ocorrência de indivíduos das famílias Mirtaceae, Celastraceae, Erythroxylaceae e Euphorbiaceae. As quatro espécies predominantes foram (todas com mais de 200 indivíduos por hectare): Maytenus robusta, Erythoxylum argentinum, Eugenia gracilis e Eugenia sp1 (fragmento 6). Ressalta-se que na extremidade do fragmento localizada entre os limites nordeste e sudeste da Fazenda Ressacada encontra-se a área remanescente com árbórea com melhor estrutura, incluindo árvores de maior porte; esta área deve ser priorizada não ações de conservação, em função de sua estrutura e composição.

Estrato 4: Vegetação nativa com o maior número de fragmentos na área onde aparentemente houve a maior ação antrópica. Maior ocorrência de indivíduos das famílias Mirtaceae, Euphorbiaceae, Melastomataceae e Salicaceae. As quatro espécies predominantes foram (todas com mais de 150 indivíduos por hectare): Alchornia triplinervia var. janeirensi, Eugenia gracilis, Miconia ligustroides e Casearia sylvestris (Fragmentos 8, 9, 10, 11 e 12).
A comparação com as características descritas na literatura para vegetação das planícies quaternárias indica que em todos os estratos houve ação antrópica intensa, possivelmente corte raso e certamente extração seletiva de madeira.

Além disso, no polígono formado entre os estratos 1, 2, 3 e a divida sudeste da Fazenda Ressacada, há uma extensa área com vegetação característica de banhado que deve ser enquadrada completamente como Área de Preservação Permanente (Conforme a Lei 4771/ 1965 – Código Florestal Brasileiro) e, portanto, nenhuma prática que implique alteração da vegetação deve ser realizada nesta área.

Caracterização Estrutural e Estádios Sucessionais

As principais características estruturais dos quatro estratos estabelcidos são apresentadas na Tabela 5, por unidade amostral em cada estrato.

No Estrato 1 o DAP médio foi de 6,6 cm, a altura média foi de 6,4 m e a área basal média foi de 27,7 m2/ha (Tabela 5). O valor obtida para a altura média enquadra este estrato no estádio médio de regeneração, contudo o alto valor da área basal média, decorrente do grande número de indívíduos existente (>6.000 indivíduos por hectare), enquadra o estrato como Estádio Avançado de Regeneração (Resolução 04/ CONAMA/ 94, Tabela2).

No Estrato 2 o DAP médio foi de 7,2 cm, a altura média foi de 7,5 m e a área basal média foi de 34,7 m2/ha (Tabela 5). O valor obtida para a altura média enquadra este estrato no estádio médio de regeneração, contudo o alto valor da área basal média, decorrente do grande número de indívíduos existente (>6.000 indivíduos por hectare), enquadra o estrato como Estádio Avançado de Regeneração (Resolução 04/ CONAMA/ 94, Tabela2).

No Estrato 3 o DAP médio foi de 8,9 cm, a altura média foi de 6,9 m e a área basal média foi de 23,8 m2/ha (Tabela 5). O valor obtida para o DAP médio e para altura média enquadram este estrato no estádio médio de regeneração, contudo o alto valor da área basal média, decorrente do grande número de indívíduos existente (>2.800 indivíduos por hectare), enquadra o estrato como Estádio Avançado de Regeneração (Resolução 04/ CONAMA/ 94, Tabela2). Neste estrato chama aenção a grande variação existente nas diferentes unidades amostrais, refletindo a variação existente nos fragmentos que o compõem.

No Estrato 4 o DAP médio foi de 14,6 cm, a altura média foi de 7,7 m e a área basal média foi de 32,7 m2/ha (Tabela 5). O valor obtida para o DAP médio e para a altura média enquadram este estrato no estádio médio de regeneração, contudo o alto valor da área basal média enquadra o estrato como Estádio Avançado de Regeneração (Resolução 04/ CONAMA/ 94, Tabela2). Também neste estrato há grande variação entre as unidades amostrais, principalmente em decorrência do estrato ser composto por vários fragmentos diferentes, vários de pequenas dimensões.
Na realidade, os valores de área basal média enquadram todos os estratos em Estádio Avançado de Regeneração, principalmente em decorrência do grande número de indivíduos existentes nos fragmentos. Ainda que os valores de erro amostral se mostrem elevados em todos os estratos, principalmente para área basal, os valores obtidos nas unidades amostrais são consistentemente superiores a 20 m2/ ha.

Apenas em três casos as unidades amostrais mostraram valores de área basal inferiores a 20 m2/ ha: unidade amostras 8.2 no estrato 4, unidades amostrais 6.4 e 6.5 no estrato 3. No primeiro caso a vegetação ainda seria classificada como estádio avançado e nos outros dois como estádio médio, o que não traria implicações diferentes em termos de uso e conservação. Assim, uma amostragem maior não alteraria as conclusões e recomendações deste relatório.

Desta forma, de acordo com a Resolução 04/CONAMA/1994, nenhuma das situações se enquadra em estágio inicial de regeneração, portanto, nenhuma supressão de vegetação pode ser realizada em nenhum dos remanescentes de floresta nativa da Fazenda Ressacada.

Tabela 5. Resultados médios, por unidade amostral, obtidos no levantameteo realizado nos quatro padrões de vegetação identificados nas áreas com cobertura árbórea nativa da Fazenda Ressacada. NPFT/ UFSC, 2010.

Número plantas/ ha
DAP (cm)
ALT. (m)
AB(m²/ha)

6.400
6,8
5,8
30

4.900
7,6
6,4
33,8

7.700
5,5
5,8
25,6

6.300
7,9
6,9
32,5

7.300
5,9
6,8
24,6

4.400
6,6
6,8
20,9

6.050
6,6
6,4
27,7

0,9
0,5
5,3

23,7
18,5
28,3

Número plantas/ ha
DAP (cm)
ALT. (m)
AB(m²/ha)

7.600s
7,6
6,8
42,1

7.200
6,3
7,3
27,3

4.900
7,6
8,4
34,7

6.567
7,2
7,5
34,7

0,8
0,8
7,4

27,4
27,8
38,8

Número plantas/ ha
DAP (cm)
ALT. (m)
AB(m²/ha)

2.300
9,9
6,7
20,9

2.300
11
6,1
31,3

3.900
8,5
9
37,5

1.800
8,1
6,8
13,5

1.200
8,8
5,2
11,9

5.600
6,9
7,4
28

2.850
8,9
6,9
23,8

1,4
1,3
10,2

26
28,3
42,6

Estrato 1
UA 1.1 1.2 2.1 3.1 4.1 14.1 MÉDIA S E (%) Estrato 2 UA 5.1 5.2 5.3 MEDIA S E (%) Estrato 3 UA 6.1 6.2 6.3 6.4 6.5 6.6 MÉDIA S E (%)

Número plantas/ ha
DAP (cm)
ALT. (m)
AB(m²/ha)

1.100
13,7
9
20,4

1.100
17
8,5
15,1

1.900
12,4
8,9
33,2

1.300
13,9
5,9
56,3

1.000
17,5
7,3
44,1

4.100
12,1
6,3
31,1

1.000
17,4
8,4
27,3

1.900
13,1
7,4
34,3

1.675
14,6
7,7
32,7

2,3
1,2
13

24,6
24,1
39,2

Estrato 4
UA 8.1 8.2 8.3 9.1 10.1 10.2 11.1 12.1 MÉDIA S E (%)

S – desvio padrão; E – erro amostral

6. Considerações Finais e Recomendações

Os fragmentos de vegetação remanescente da Fazenda Ressacada apresentam fitofisionomia caracterísitica de vegetação de Floresta Ombrófila Densa Aluvial (Planície Quaternária) alterada pela ação antrópica.

Todos os estratos estabelecidos podem ser enquadrados como Estádio Avançado de Regeneeração Natural, de acordo com a Resolução 04/ CONAMA/ 1994. Desta forma, nenhuma supressão de vegetação pode ser realizada em nenhum dos remanescentes de floresta nativa da Fazenda Ressacada.

O enquadramento dos remanescentes florestais da Fazenda Ressacada em Estádio Avançado de Regeneração também implicam em que as ações prioritárias nestas áreas devem estar associadas à restauração da vegetação nativa e pesquisas.

Além disso, no polígono formado entre os estratos 1, 2, 3 e a divisa sudeste da Fazenda Ressacada, há uma extensa área com vegetação característica de banhado que deve ser enquadrada completmente com Área de Preservação Permanente (Conforme a Lei 4771/ 1965 – Código Florestal Brasileiro) e, portanto, nenhuma prática que implique alteração da vegetação deve ser realizada nesta área.
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

IBGE. Manual Técnico da Vegetação Brasileira: Série Manuais Técnicos em Geociências no 1. Rio de Janeiro, 1992.

KLEIN, R.M. Mapa fitogeográfico do Estado de Santa Catarina. Herbário “Barbosa Rodrigues”, Itajaí-SC. Universidade Federal de Santa Catarina-Florianópolis-SC. 22p, 1978.

REIS, A. A vegetação original do estado de Santa Catarina. In: REIS, A.; REIS, M.S.;

QUEIROZ, M.H.; MANTOVANI, A.; ANJOS,A. Caracterização de estádios sucessionais na vegetação Catarinense. (curso). Universidade Federal de Santa Catarina, CCA/CCB. UFSC, 1995.86p.

SANTOS, Humberto Gonçalves dos. Sistema brasileiro de classificação de solos. Embrapa, Centro Nnacional de Pesquisa de Solos.  2. ed. Brasilia: EMBRAPA solos, 2006. 306p.

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Equipe de trabalho
Coordenação:

Prof. Dr. Maurício Sedrez dos Reis

Núcleo de Pesquisas em Florestas Tropicais – NPFT

Departamento de Fitotecnia/ Universidade Federal de Santa Catarina

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Eng. Florestal Alex Zecchini (NPFT/UFSC)

Eng. Florestal Felipe Steiner (NPFT/UFSC)

Acadêmica Beatriz Bez Birolo (NPFT/UFSC)

Acadêmico Caio Dáros Fernandes (NPFT/ UFSC)

Acadêmico Douglas Loch Santos da Silva (NPFT/UFSC)

Acadêmico Fernando André Loch Santos da Silva (NPFT/UFSC)

Acadêmico Fernando Vieira de Luca (NPFT/UFSC)

Acadêmico Georg Altrak (NPFT/UFSC)

Acadêmica Ivone de Bem Oliveira (NPFT/UFSC)

Acadêmico Luiz Guilherme Ugioni (NPFT/UFSC)

Acadêmica Roberta Inácia Duarte (NPFT/UFSC)

Acadêmico Tiago Montagna (NPFT/UFSC)

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Determinação Botânica

Prof. Dr. Ademir Reis (Herbário Barbosa Rodrigues/ Dpto Botânica UFSC)

Biólogo Lucas Milanesi (NPFT UFSC)

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B. Dados de levantamento de plantas forrageiras desenvolvido em 1998 por Gilmar Borsoi.

Lista das espécies e outros componentes encontrados na pastagem
naturalizada da EE da Ressacada/UFSC. Florianópolis, SC. 1997
por Gilmar Borsoi.

NOME CIENTÍFICO – NOME COMUM
G R A M Í N E A S
Andropogon lateralis – capim-caninha
Avena strigosa – aveia-preta
Axonopus affinis – grama-tapete
Axonopus obtusifolius – grama-de-folha-larga
Brachiaria bryzanta – brizantão
Festuca arundinacea – festuca, capim-suiter
Ischaemum urvilleanum – grama-do-banhado
Lolium multiflorum – azevém-anual
Panicum miliacium
Panicum sabulorum – capim-boliviano
Paspalum pumilum – grama-baixa
Rytachne rottbellioides – capim-africano
Schizachyrium condensatum – capim-rabo-de-burro
Schizachyrium microstachyum – capim-colchão
Schizachyrium tenerum – capim-mimoso-da-vacaria
Setaria anceps cv. kazungula – capim-rabo-de-raposa; setária
— outras gramíneas nativas
L E G U M I N O S A S
Aeschynomene falcata – foicinha
Desmodium adscendens – pega-pega
Desmodium barbatum – pega-pega
Desmodium canum – pega-pega
Lotus corniculatus – cornichão
Trifolium pratense – trevo-vermelho
Trifolium repens – trevo-branco
Stylosanthes gracilis
OUTRAS PLANTAS COMUNS
Baccharis trimera – carqueja-de-folha-fina
Centella asiatica – orelha-de-ratão
Cyperus spp – ciperáceas, tiriricas
Eryngium sp – caraguatá
Tibouchina urvilliana – orelha-de-onça
— outras plantas